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Venda do GBarbosa agita varejo

Portal Exame

Carrefour, Pão de Açúcar e Wal-Mart têm uma semana para fazer suas propostas pela rede, que fatura 1,4 bilhão de reais

Por Tiago Lethbridge e Melina Costa

EXAME 

A onda de consolidação do varejo brasileiro pode ganhar na semana que vem mais um capítulo. Os executivos das três maiores varejistas do país, Carrefour, Pão de Açúcar e Wal-Mart, passarão o feriado preparando propostas pela rede Gbarbosa, segunda maior do Nordeste, com faturamento de 1,4 bilhão de reais. O Gbarbosa protocolou ontem seu pedido de abertura de capital na Comissão de Valores Mobiliários mas, simultaneamente e em sigilo, enviou aos três líderes do varejo uma carta em que pede propostas pela aquisição. Segundo um executivo que teve acesso às informações, os interessados têm apenas uma semana para isso: o prazo final para as propostas é o dia 14 de setembro. Após as ofertas iniciais, os interessados escolhidos serão convidados a analisar os números do vendedor, na chamada due dilligence e, em seguida, farão suas ofertas finais. O GBarbosa está sendo assessorado no processo pelo banco de investimentos UBS Pactual. Estima-se que a aquisição do GBarbosa custaria de 600 a 700 milhões de reais aos líderes. Se as propostas não forem consideradas boas o bastante pelos vendedores, porém, a rede seguirá seu caminho rumo à abertura de capital. Procurados, os envolvidos não quiseram comentar o assunto.

O GBarbosa pertence desde 2005 ao fundo de private-equity americano Acon, e a rede, com sede em Sergipe, é um dos últimos alvos que restaram no varejo nacional. Nos últimos anos, a venda de redes como Bompreço, Sonae, Sendas e Atacadão acentuou a concentração no mercado local e acirrou a disputa por redes menores. Hoje, além do GBarbosa, não há mais que cinco redes com tamanho suficiente para atrair o interesse dos grandes. Entre elas estão Zaffari e Angeloni, da região Sul, além do atacadista Makro.

Dos três líderes, o Pão de Açúcar é tido como favorito a uma eventual compra do GBarbosa. O motivo para isso é a recente perda da liderança no mercado brasileiro para o Carrefour, que em abril comprou o Atacadão e voltou à primeira posição. Além disso, a rede de Abilio Diniz tem pequena participação no mercado nordestino, que tem apresentado taxas impressionantes de expansão. "O encaixe seria perfeito para eles", diz um executivo concorrente. Para o Wal-Mart, uma eventual aquisição encontraria restrições nos órgãos de defesa da concorrência, já que a rede americana se tornou líder na região com a compra do Bompreço, em 2004 — ou seja, seria necessário vender algumas lojas, especialmente na região de Aracaju. Não se descarta, porém, um movimento defensivo por parte do gigante americano. Comprando o Gbarbosa e vendendo algumas lojas, o Wal-Mart evitaria que um concorrente entrasse com força no Nordeste e consolidaria a liderança local. Para o Carrefour, a compra seria uma maneira de se afastar ainda mais do Pão de Açúcar na disputa pela supremacia do mercado nacional.