Notícias


Usina pernambucana de etanol reabre e já fatura mais de R$ 30 mi

DCI – Diário Comércio Indústria & Serviços

 

 

 

 

Aumento na mistura do biocombustível na gasolina e modificação tributária não trazem alívio para os usineiros do Nordeste; ação de cooperativas alavanca economia da região

Nayara Figueiredo

São Paulo – Na contramão da crise no setor sucroenergético, a Usina Pumaty, localizada na Zona da Mata pernambucana, reabriu em meados de novembro de 2014, movida pela ação de entidades de classe da região.

A unidade produtiva configura um dos poucos casos de retorno da recuperação judicial e já faturou mais de R$ 30 milhões, após dois anos parada. De acordo com o presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari, a quantidade de usinas fechadas no Brasil por causa de dificuldades financeiras chegou a 83 unidades, entre 2008 e o fim de 2014. Juntas elas representam perda de capacidade de processamento de 75,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Destas, 19 unidades ficam na Região Norte-Nordeste, reduzindo capacidade de processamento em 13,71 milhões de toneladas.

“Nos vimos em um beco sem saída. Várias usinas da região fechando e a matéria-prima foi ficando na lavoura. Se a Pumaty não reabrisse, pelo menos 800 mil toneladas de cana deixariam de ser colhidas em Pernambuco e outras 200 mil toneladas em Alagoas”, conta o presidente da Associação dos Fornecedores de Cana (AFCP) e da União Nordestina dos Produtores de Cana, Alexandre Andrade Lima.

Atualmente, a usina é gerenciada pela Cooperativa do Agronegócio da Cana-de-Açúcar (Agrocan), com apoio institucional da AFCP e do Sindicato dos Cultivadores de Cana-de-Açúcar em Pernambuco (Sindicape).

Segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), das 56,4 milhões de toneladas moídas entre o Norte e Nordeste na safra 2013/ 2014, cerca de 15,1 milhões de toneladas eram provenientes de Pernambuco e 21,6 milhões de Alagoas, os dois maiores estados produtores da região.

O processo

Lima afirma que foi feito o processo de arrendamento da usina para que fosse possível a blindagem dos débitos que ficaram em haver quando a unidade foi para a recuperação judicial. Até que se complete o mínimo de R$ 1,2 milhão, 4% do faturamento da usina é destinado à Justiça, para pagamento, principalmente, de ativos trabalhistas aos antigos funcionários.

“Nestes poucos meses, já pagamos R$ 700 mil, pouco mais da metade do arrendamento. Após isso teremos mais fôlego para investir em modernização da capacidade instalada”, diz o presidente.

Além disso, as entidades têm negociado isenções ou reduções no ICMS para capitalização da unidade e possibilidade de investimentos. Desde a reabertura, foram gastos R$ 800 mil para manutenção, sem troca de máquinas, sendo que as atuais só possibilitam a produção de etanol, uma vez que a capacidade instalada responsável pela geração de açúcar ainda está muito debilitada. Ao todo, a usina pode moer cerca de oito mil toneladas de cana.

Incentivos

A reabertura da Pumaty revigorou os ânimos da população do entorno. Segundo Lima, já foram gerados quatro mil empregos diretos, sendo 300 funcionários da cooperativa e os demais espalhados entre as funções do campo, onde a topografia e as características do solo ainda não permitem a aplicação de colheita mecanizada. Mais de R$ 4 milhões em ICMS já foram pagos ao governo pernambucano e pelo menos outros R$ 30 milhões foram injetados como capital de giro, através de fornecedores.

O modelo deu tão certo que já caiu nos olhos do poder público, atraindo a visita de autoridades, e deve ser replicado em unidades alagoanas.

Em janeiro, a usina recebeu a visita do senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) para acompanhar o desempenho do processo produtivo. O parlamentar foi acompanhado do deputado Aloísio Lessa (PSB-PE) e da maioria dos prefeitos da região. “O senador ficou admirado com o que viu, pois mesmo sem o apoio do governo estadual até então, observou a retomada do vigor econômico e social da região em função da reabertura das portas da usina”, disse Lima.