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Taxas de juros bancários diminuíram no governo Lula

Agência Brasil

Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil

Brasília – As taxas de juros bancários cobradas das empresas e famílias caíram durante os oito anos do governo Lula, mas ainda estão altas, na avaliação de especialistas. Segundo o Banco Central (BC), em janeiro de 2003, a taxa média de juros cobrada das famílias ficou em 83,61% ao ano. O pico de todo o período de oito anos do governo Lula foi de 87,27% ao ano, em março de 2003. Em novembro de 2010, a taxa média chegou a 39,1% ao ano.

No caso das empresas, a taxa média de juros no começo do governo registrou 34,83% ao ano. O período em que ficou mais alta foi em maio de 2003, quando chegou a 39,05% ao ano. Em novembro de 2010, a taxa estava em 28,6% ao ano.

“Essa política de governo [de expansão do crédito] apresenta uma inconsistência macroeconômica. Ao mesmo tempo em que expandia o crédito, tinha taxas de juros muito altas no país. É como estimular alguém a correr e ao mesmo tempo ficar segurando o cinto para a pessoa não ir muito rápido”, afirmou o professor de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Reinaldo Gonçalves.

Para o economista Douglas Uemura, da LCA Consultores, um ponto negativo da expansão dos financiamentos no país é o fato das pessoas ainda aceitarem a solicitar crédito de modalidades com taxas muito elevadas, como o rotativo do cartão de crédito. “O cartão de crédito, este sim preocupa. Tem taxa de inadimplência elevada, é caro, com prazo curto e inadimplência alta as pessoas acabam aceitando, antes de fazer as contas”, disse.

Uma opção de crédito mais barato é o consignado em folha. Essa modalidade foi criada pela Lei nº 10.820/2003 e permitiu o desconto das prestações em folha de pagamento, reduzindo o risco de inadimplência. “O crédito consignado foi uma inovação muito importante, tirou o problema do risco”, afirmou.

Na avaliação de Uemura ainda há espaço para o crescimento do crédito no país, mas é preciso analisar a qualidade dos financiamentos. Para ele, o crédito imobiliário é uma das modalidades que ainda pode crescer muito. “Esse é um tipo de financiamento que tem prazo mais longo e taxa de juros mais baixa”. Atualmente, o crédito imobiliário corresponde a 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todos os bens e serviços produzido no país, patamar considerado ainda baixo.

No último dia 15, para estimular o crédito imobiliário, o governo autorizou que créditos securitizados (convertidos de curto prazo para longo prazo) sejam registrados na parcela da Caderneta de Poupança destinada a financiar o sistema habitacional. Atualmente, 65% do dinheiro depositado na poupança são destinados ao financiamento imobiliário. Para liberar os recursos da caderneta para outras operações de crédito, os bancos poderão registrar outros tipos de crédito por até 36 meses como se fossem depósitos de poupança.

Nesse mesmo dia, o governo também anunciou medidas que facilitarão a captação de recursos privados de longo prazo. “O governo está tentando criar um ambiente propício para que as empresas possam captar recursos para investimentos em infraestrutura e depender um pouco menos do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]”, disse Uemura.

Edição: Aécio Amado