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Sonegação fiscal leva 15 para cadeia

Entre os presos estão donos de distribuidoras de combustível, de empresa de transporte e dois fiscais da Receita Estadual

Curitiba- A polícia paranaense acredita ter desmantelado um complexo esquema de sonegação fiscal na distribuição de combustíveis, que pode ter deixado um rombo anual de R$ 50 milhões aos cofres públicos. Na operação Medusa, realizada, ontem, simultaneamente, em nove cidades do Paraná e Santa Catarina, 15 pessoas, supostamente, envolvidas nas fraudes foram presas. Entre elas, estão donos de distribuidoras, de empresa de transporte e dois fiscais da Receita Estadual, que estariam acobertando a sonegação. Até o final da tarde de ontem, havia dois mandados de prisão ainda a serem cumpridos.

Em coletiva na tarde de ontem, o secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, esclareceu que a suposta quadrilha se valia de empresas de fachada -abertas em nome de laranjas- para a emissão de notas fiscais frias, subfaturadas, que seriam usadas por grandes distribuidoras. Isto é, a empresa dona do combustível vendia o produto (álcool) usando as notas fraudadas para burlar a Receita no recolhimento de impostos.

O setor de combustível, especialmente do álcool, é altamente prostituído. Empresas são montadas para serem queimadas. Efetivamente, não têm finalidade comercial de vender combustíveis. Vendem documentos fiscais, declarou o diretor da Receita Estadual, Luiz Carlos Vieira. Segundo ele, essas empresas acumulam débitos monstruosos em impostos e depois desaparecem.

O delegado responsável pelas investigações -iniciadas há seis meses-, Marcus Vinícius Michelotto, da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, disse que, como há indícios de que o esquema teria uma série de conexões com distribuidoras e postos de combustíveis em vários estados, a operação terá desdobramentos. Segundo ele, a investigação, em princípio, tinha como alvo um posto, em Curitiba, que vendia álcool abaixo do preço de custo. Durante a operação, foram apreendidos documentos, carros e, inclusive, um avião, que seria de um dos empresários.

Três dos presos são donos da Ciax Distribuidora de Petróleo Ltda., que tem sede em Umuarama e filiais em Araucária (Região Metropolitana), Paulínia (SP), Triunfo (RS) e Várzea Grande (MT). A empresa seria a principal beneficiada pelo esquema. A Folha fez contato com a Ciax, em Umuarama, mas foi informada por uma funcionária que não havia ninguém que pudesse se manifestar sobre o assunto.

Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Paraná (Sindicombustíveis-PR), Roberto Fregonese, é um alívio para revendedores honestos que sonegadores saiam do mercado, acabando com a concorrência desleal. Esperamos que as autoridades não parem por aí e continuem a investigar o setor, acrescentou.

Andréa Lombardo
Equipe da Folha