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Solidez do País causa inveja a BCs

Meirelles diz que bom momento do Brasil é destaque na reunião do BIS

João Caminoto

O bom momento da economia brasileira foi destacado durante a reunião do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês), segundo o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. “No final da reunião, fui procurado por vários governadores de BCs que afirmaram invejar a solidez da posição do Brasil e do Banco Central brasileiro”, disse Meirelles em entrevista exclusiva ao Estado no encerramento do encontro.


Tanto na reunião dos ministros das Finanças e governadores do G-20, no fim de semana, como ontem, na reunião do BIS, o comportamento estável dos países emergentes diante da volatilidade dos mercados financeiros foi destacado pelos participantes. Inclusive como importante contraponto positivo aos problemas enfrentados pela economia americana. O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, por exemplo, qualificou o desempenho dos emergentes como “notável”.


“A avaliação é que os emergentes aprenderam as lições de suas crises em 1997 e 1998 e em 2001 e 2002, e agora é a vez de os países desenvolvidos aprenderem as lições da atual crise”, disse Meirelles. “E foi destacado particularmente o caso do Brasil, que está muito bem posicionado para enfrentar o atual ambiente externo.” Ele salientou que, se a crise externa se agravar, todos os países serão de alguma maneira afetados. “Mas o importante é que o preço a ser pago numa situação como essa seja menor.”


Segundo Meirelles, a avaliação positiva da economia brasileira explica-se por ela estar “crescendo impulsionada pela demanda doméstica, fundada pelo alta dos investimentos e consumo, que por sua vez são estimulados pelo aumento do emprego, renda e crédito”.

Isso, segundo ele, “conjugado com os fundamentos sólidos da economia brasileira – inflação e expectativas na meta, reservas em moeda estrangeira elevadas, setor externo sólido e dívida pública cadente -, faz com que o Brasil possa enfrentar com mais solidez essa crise internacional e seus eventuais desdobramentos”.


Meirelles salientou que o sistema financeiro do País não está exposto ao ativos vinculados ao setor de hipotecas subprime dos EUA. “Ao contrário de alguns outros emergentes, cujos bancos nacionais compraram esses ativos.” Segundo ele, a economia brasileira está em condições de “prosseguir normalmente” em meio às incertezas externas. “Temos exportações sólidas e diversificadas.”


O presidente do BC evitou comentar as preocupações com o impacto inflacionário mundial da alta dos preços do petróleo e alimentos, discutidas na reunião. “Como de hábito, sobre preços e inflação eu não falo.”