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Seca prossegue e previsão de perdas passa de R$ 26 bi

Valor Econômico

Depois de afetar seriamente o Produto Interno Bruto (PIB) do país no primeiro trimestre, a seca continua devastando o Nordeste e comprometendo a agricultura no Sul ao longo do segundo trimestre. No Nordeste, o número de municípios em situação de emergência só cresce e alcançou 996 cidades – em abril, 458 estavam nessa condição. No Rio Grande do Sul, a situação para a população já está mais amena (o número de municípios em situação de emergência caiu de 340 em fevereiro para 108 em junho), mas a indústria projeta que a estiagem trará prejuízos diretos e indiretos acima de R$ 16 bilhões para a economia gaúcha. Nos Estados afetados, os prejuízos previstos já ultrapassam R$ 26 bilhões.

No Rio Grande do Norte, que tem 139 municípios em situação de emergência, a projeção é de um rombo de cerca de R$ 5,5 bilhões no PIB do Estado em 2012, informa o secretário estadual de Agricultura, Betinho Rosado. "A produção in natura, que foi seriamente prejudicada, representa 6% do nosso PIB, que é de R$ 25 bilhões. Agora, se considerado o beneficiamento desses produtos, como no caso do queijo, do iogurte e do álcool, a fatia passa para 35%", explicou.

A quebra na produção de leite e derivados é um dos principais estragos provocados pela estiagem na economia nordestina. Maior produtor da região, com 1,2 bilhão de litros em 2011, a Bahia deve registrar queda de 50% neste ano, mesmo percentual esperado para Pernambuco. Até maio, o prejuízo acumulado na economia pernambucana devido à seca somava R$ 1 bilhão, sendo 85% na pecuária e o restante na agricultura.

Sem ração e água para as vacas, em Sergipe a queda foi de 40%, estima o secretário estadual de Agricultura, José Sobral. No Estado, somente com a cadeia do leite, dos grãos e da cana-de-açúcar, ele prevê perdas de R$ 200 milhões até agora.

Depois de derrubar em 48% a safra da soja e em 44% a do milho no Rio Grande do Sul, os efeitos da seca se prolongam no Estado. Na semana passada, apenas 12% da área de trigo, a principal lavoura de inverno, estava plantada devido à baixa umidade do solo, ante 25% no mesmo período de 2011. No Paraná, depois de a seca deixar prejuízos estimados em R$ 3,8 bilhões, a preocupação dos produtores agora é com a ocorrência de geadas.