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Saiba como funcionam traveler check, cartão de débito e crédito

Fonte: Redação Terra

Peter Fussy
Direto de São Paulo

Quem viaja para o exterior precisa tomar cuidado por causa das dívidas em moeda estrangeira. Muitas delas podem ser controladas de acordo com o meio de pagamento escolhido pelo turista. Com este intuito, explicamos como funcionam as principais formas de custear as despesas internacionais, seja em papel moeda, com cheques de viagem ou cartões de débito recarregáveis.

A forma mais tradicional é comprar a moeda estrangeira ainda no Brasil ou levar alguma moeda de troca fácil, como o dólar e o euro para trocar no exterior. Estas reservas podem ser adquiridas em bancos ou casas de câmbio. Segundo Renata Garcia, representante da agência de turismo Agaxtur, as taxas de câmbio dos bancos são melhores do que as agências independentes, mas exigem comprovantes de viagem como tíquete de embarque ou reservas de hotel.

No caso do Banco do Brasil, é preciso apresentar a passagem, se o valor da operação for superior a US$ 3 mil ou equivalente em outras moedas (o limite é até o equivalente a R$ 10 mil) e a tarifa cobrada é de 4% do valor da operação, com mínimo de R$ 20 e máximo de R$ 250. Além disso, a transação tem incidência de alíquota de 0,38% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Apesar das facilidades de ter em mão o dinheiro vivo, há a questão da segurança. No caso de perda ou roubo de papel moeda, não há como pedir o reembolso – o que é possível em outro tipo de meio de pagamento. Os "traveler checks", ou cheques de viagem, podem ser reembolsados pelo banco. No entanto, estes cheques ainda precisam ser trocados pelo papel moeda do país de destino quando o turista chega ao local de sua viagem e nem todas as casas de câmbio aceitam. Na maioria dos casos, a taxa de conversão também é um pouco abaixo da cobrada diretamente pela troca do papel moeda.

É possível comprar cheques de viagem em dólar, euro e até iene, e eles não possuem prazo de validade, ou seja, se você não gastou todo o valor, poderá utilizá-los na próxima viagem ou trocá-los quando chegar ao Brasil.

Outra alternativa é usar um cartão de crédito internacional, que não requer muito trabalho, mas possui taxas e o valor da fatura que variam com o câmbio de acordo com o dia de pagamento. Ou seja, o valor gasto no dia da compra geralmente não é o mesmo cobrado no dia do pagamento da fatura – o que dificulta o controle dos gastos.

"O cartão de crédito é uma faca de dois gumes, porque depende do câmbio da administradora e existe a possibilidade de receber uma fatura cobrando muito mais do que ele imaginava ter gasto. Nesta crise aconteceu muito isso, o ideal é que o cartão seja usado em um cenário mais estável. Atualmente indicamos levar uma quantia em espécie e um cartão de crédito", afirmou Renata.

Ainda pouco conhecido dos turistas, o cartão de débito recarregável tem como vantagens o controle dos gastos, facilidade para pagamento e saque e proteção com senha. Neste tipo de serviço, o usuário "carrega" o cartão de débito comprado no Brasil com dólares na cotação do dia e aquele valor permanece, não importa quando seja gasto. A produtora de eventos Marcela Andreatti, 25 anos, utilizou o serviço durante sua estadia na Inglaterra e aprovou.

"Usei muito ele quando saí do Brasil e fui morar na Inglaterra. Mas os brasileiros que estavam lá comigo na maioria levaram um pouco de dinheiro e cartão de crédito. Minha mãe carregava ele para mim aqui no Brasil. Só que muitas vezes demorava uns dois ou três dias para cair o dinheiro", relatou Marcela.

O cartão pode ser carregado em dólares americanos, euros ou libras, possui senha e assinatura, e oferece segurança em casos de extravio. Outras características que beneficiam os usuários são a isenção de anuidade e as taxas inferiores – enquanto no cartão pré-pago é cobrada taxa de 0,38% de IOF para as cargas, no cartão de crédito a IOF é de 2,38% sobre todas as transações.

Além disso, é possível acessar um saldo e extrato online. "O cartão recarregável é muito utilizado por famílias que mandam os filhos sozinhos para Disney, por exemplo, porque eles podem recarregar aqui e têm o controle de quanto e onde os filhos estão gastando por meio da internet", explicou a representante da Agaxtur.

Contudo, é cobrada uma taxa de US$ 2,50 a cada saque efetuado com o cartão. Existem alguns caixas automáticos que podem cobrar tarifas adicionais, que são previamente informadas. Ele também funciona como cartão de débito, transação da qual não é cobrada taxa.