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Reforma tributária vai compensar CPMF, diz Lula

Folha Online

da Folha de S.Paulo, no Rio

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem no Rio de Janeiro estar "convencido de que, apesar das diferenças político-ideológicas" de parte dos senadores, o governo irá "compensar a aprovação da CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira] mandando para o Congresso uma proposta de reforma tributária", de maneira que os "congressistas possam fazer seus ajustes na política tributária que melhor interessa ao Brasil".

Lula procurou demonstrar otimismo com a questão da CPMF no Senado. Disse que o Senado repetirá a Câmara dos Deputados e aprovará a prorrogação do imposto, "até porque eles [os senadores] sabem que, se não aprovar, quem vai perder é o povo brasileiro".

"Todo e qualquer brasileiro de bom senso sabe perfeitamente bem que não há país ou empresa no mundo que possa prescindir de um imposto que lhe garanta R$ 40 bilhões no Orçamento sem criar outro imposto. Acredito piamente que nenhum senador de nenhum partido pense em votar contra a CPMF para prejudicar o governo, porque não será o governo o prejudicado, e sim, o país."

Emergentes

O Brasil será o país de mais destaque deste século, disse Lula, em tom triunfalista, durante visita a instalações da Petrobras na ilha do Fundão (zona norte do Rio).

"Tenho dito lá fora e aqui dentro que este século é o século do Brasil. Já tivemos o século da Europa, já tivemos o século dos Estados Unidos, e este século, nós temos que transformá-lo no século dos países emergentes, dentre eles o Brasil", afirmou o presidente durante a entrevista.

Para justificar o otimismo da previsão, o Lula citou as reservas monetárias brasileiras, de U$ 165 bilhões.

"Hoje o Brasil está numa situação confortável, estamos com U$ 165 bilhões de reserva. Nenhum economista brasileiro jamais imaginou que o Brasil poderia chegar a ter U$ 165 bilhões de reserva. Isso nos dá muita garantia, muita tranqüilidade, muita mobilidade para que a gente possa administrar melhor", afirmou.

O presidente, que completa 62 anos hoje, falou sobre o aniversário. "Por um lado é bom a gente fazer 62 anos, porque a gente vai acumulando experiência. Por outro lado, eu gostaria hoje de estar fazendo 30 anos. Mas eu já fiz 30 e não tinha a consciência política que tenho hoje e possivelmente não tenha aproveitado os 30 como hoje penso que aproveitaria se tivesse 30. Então, não vou ficar chorando o leite derramado."

Lula disse que, na semana que vem, a Petrobras discutirá com fornecedores a possibilidade de o governo vir a financiá-los. Segundo ele, muitas empresas que trabalham para a estatal estão com os parques industriais exauridos.

"Na medida em que esse é um setor que está crescendo muito, os fornecedores não estavam preparados para atender essa demanda. Então, uma coisa que a gente poderia fazer em dois anos pode levar dois anos e meio, pode levar três anos e nós, então, enquanto temos tempo, vamos cuidando disso. Foi isso que eu vim discutir com a Petrobras."