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Redução da Selic traz pouco alívio para taxas cobradas dos consumidores

Folha Online

ALESSANDRA KIANEK
da Folha de S.Paulo

O corte de 0,5 ponto percentual anunciado pelo Copom trará pouco alívio para os juros pagos pelos consumidores.

Segundo estudo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), esse corte terá efeito muito pequeno nas operações de crédito. Isso ocorre porque existe um deslocamento grande entre a Selic -considerada a taxa básica de juros da economia- e as taxas cobradas do consumidor, que, na média da pessoa física, atingem 134,48% ao ano, provocando diferença de mais de 900% entre as duas taxas.

Com a redução da Selic, essa taxa média deve cair para 133,44% ao ano, diz a Anefac. Os juros de empréstimo pessoal cobrados pelas financeiras, que estão em 266,85% ao ano, devem ir para 265,28% -uma queda de apenas 1,57 ponto.

Para Miguel José Ribeiro de Oliveira, coordenador do estudo da Anefac, havia espaço para uma queda mais acentuada, e o Banco Central manteve-se novamente conservador.

"Esse conservadorismo exagerado do BC vem inibindo, sem nenhuma necessidade, o crescimento econômico. É hora de rever essa política. O país não pode continuar a praticar uma disciplina econômica torta e desequilibrada."

Oliveira lembra que, de setembro de 2005 a abril deste ano, o BC reduziu a Selic de 19,75% ao ano para 12,50%, queda de 36,7%. "Entretanto, as taxas cobradas na ponta foram reduzidas apenas em 6,6%, demonstrando que nem toda a redução promovida na Selic chegou efetivamente ao consumidor."