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Recursos à baixa renda em debate

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Ingresso das classes C, D e E no mercado de consumo exige produtos diferenciados para esse público.
Paula Cunha

A última reunião do Conselho Consultivo do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), realizada ontem na sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), enfatizou a relação das classes C, D e E com o dinheiro e as formas de empregá-lo – seja no consumo ou nas formas de economizá-lo. A conclusão dos participantes é a de que os setores responsáveis pela concessão de crédito ainda têm muito o que aprender, ensinar e inovar no oferecimento de produtos a essa parcela da população.

O superintendente do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV/ACSP), Marcel Solimeo, analisou a conjuntura econômica e concluiu que o índice de confiança do consumidor brasileiro cresceu nos últimos meses. De acordo com ele, isso se deve à elevação dos postos de trabalho no País, ao maior número de vagas para profissionais qualificados na indústria e às perspectivas de desempenho mais favorável do varejo.

Devedores – Sobre a inadimplência, Solimeo citou recente análise do Banco Central apontando que as famílias comprometem 22% de sua renda para o pagamento de dívidas. De acordo com o economista, a ACSP calcula um índice menor, entre 10% e 12%.
Ele lembrou que o BC considera apenas o desempenho da modalidade consignada de crédito, que representa 23% do total do crédito oferecido. "Não há indicações de explosão da inadimplência, mas é preciso ter maior cautela na concessão de crédito", recomendou o economista.

A superintendente de produtos da ACSP, Roseli Garcia, lembrou que o crédito é um instrumento usado pela população para realizar seus sonhos – e ressaltou a importância da orientação ao consumidor. Ela lembrou que a ACSP acaba de criar um programa com essa finalidade, voltado a seus funcionários, denominado "Gente que economiza". A iniciativa inclui uma cartilha com informações sobre planejamento orçamentário e palestras.

Crédito popular – Reforçando a importância do crédito na economia, Renato Meirelles, sócio-diretor do Data Popular, instituto especializado no consumo das classes C, D e E, falou sobre a relação do brasileiro com o dinheiro.

Segundo ele, o crescimento da economia brasileira e a entrada desses segmentos da população no mercado de consumo de bens e serviços exige uma nova maneira de lidar com questões financeiras por parte das instituições que concedem crédito – que teriam, dessa forma, de estruturar e oferecer produtos e soluções específicos.

Ele ressaltou que as classes C e D – que somam 94, 4 milhões de habitantes e representam 49,7% da população – encaram de forma diferente a questão do crédito. Do total de R$ 1,36 trilhão movimentado pela população brasileira, a renda dessas classes corresponde a R$ 421,7 bilhões – quase um terço do total. Sua capacidade de consumo, portanto, não pode mais ser ignorada, diz
Meirelles.

O sócio-diretor do instituto salientou ainda que os bancos e financeiras precisam mudar o relacionamento com esse público. Hoje, 75% dos consumidores dessa camada preferem contrair empréstimos no varejo; 25% recorrem aos bancos.
Meirelles disse também que que 59% da classe C opta por investir na caderneta de poupança – percentual praticamente idêntico ao das classes A e B (60%).

Para ele, é necessário que aumente a oferta de crédito no País – até porque essa camada da população consegue com este instrumento, além de poupar, realizar seus sonhos de consumo e planejar a educação dos filhos, além de adquirir benefícios antes inacessíveis, como planos de saúde. A classe C, lembrou, já possui 57% dos cartões de crédito em circulação.

Prazos – As pesquisas realizadas pelo Data Popular indicam, ainda, que o crédito é percebido diferentemente pelas classes C e D segundo seu grau de endividamento. Por isso, as aquisições de longo prazo (40% do total) são as mais escolhidas por comprometer menos o orçamento doméstico. Meirelles observou ainda que as famílias se organizam melhor para administrar os gastos e despesas fixas do que os solteiros, que compram mais impulsivamente.

Há também distinção nos hábitos de compra entre as pessoas que ocupam postos no mercado formal de trabalho e os que não têm carteira assinada. Os primeiros são mais propensos ao consumo porque têm condições de planejar melhor seu futuro.

Cartões – José Roberto Neves, sócio da CardMonitor, empresa que oferece informações sobre o mercado de cartões de crédito, afirmou que o setor cresce 19% ao ano em volume e 21% no montante movimentado. Há hoje 136 milhões de plásticos circulando no País. Além disso, circulam 200 milhões de cartões de lojas –que devem chegar a 300 milhões nos próximos dez anos.

Por essa razão, Neves avalia que o potencial de crescimento deve ser aproveitado pelas instituições financeiras.

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