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Receita vai usar inteligência artificial contra a sonegação

BRASÍLIA – Em meados do próximo ano, a Receita vai passar a contar com uma ajuda de peso: o “Harpia”, um sistema de inteligência artificial desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Capaz de cruzar uma quantidade elevada de dados e fazer correlação entre eles, o programa vai ajudar os fiscais a escolher com mais precisão as remessas que deverão ser vistoriadas.

O secretário da Receita Federal do Brasil, Jorge Rachid, disse que o novo sistema vai revolucionar o processo de seleção e fiscalização.

“Quantidade não significa qualidade”, ressaltou a secretário-adjunta da Receita, Clecy Lionço, responsável pela área de aduanas, que rebate as críticas dos sindicatos dos servidores da Receita que alegam que a diminuição do volume de mercadorias vistoriadas representa um risco para o País.

O uso da inteligência artificial, justificou ela, torna o controle “menos pessoal e mais institucional”, ou seja, ela permite que a escolha do que deve ser fiscalizada seja feita com base em critérios técnicos, com menor interferência da subjetividade do fiscal. “A seleção se faz por critérios objetivos de risco e não pela vontade de um ou de outro”, ressaltou ela.

Segundo Clecy, o combate ao contrabando e outras irregularidades no comércio exterior foi reforçado depois da implantação este ano do Plano Nacional de Segurança Aduaneira. Equipamentos como scanners (aparelhos de raio x), balanças, câmaras de vídeo, veículos terrestres e marítimos já foram comprados. Será licitada também a compra de dois aviões e dois helicópteros. Hoje, a Receita precisa de apoio de outros órgãos para contar com o apoio aéreo nas suas operações.

A Receita, disse Rachid, reforçou a fiscalização com a criação este ano de 10 divisões regionais especializadas em vigilância e repressão aduaneira, que têm atuado em parceria com outros órgãos, como as polícias Federal, Rodoviária Federal, Rodoviária Estadual, Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) e Departamento de Estrada e Rodagem (DER).

“Se nós colocarmos um exército de mãos dadas na fronteira não vamos conseguir coibir o contrabando. Temos que trabalhar com inteligência e informação na seleção na fiscalização”, disse o secretário.