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Próximas eleições serão uma guerra

Há dois erros de avaliação na atual crise política. O primeiro, o de achar que o PT e o governo Lula estão mortos. O segundo é pensar que, passado o epicentro do terremoto, o governo recuperará a governabilidade e tudo voltará a ser como antes. A crise de aftosa – a descoberta de focos da doença no Mato Grosso –, além de comprometer a liderança do país no mercado mundial de exportações e carne, expõe com crueza a falta de qualquer plano de vôo por parte do governo.

É um governo de uma meta única – combate à inflação –, que define aumentos de superávit fiscal à galega, sem planejamento, sem definição de prioridades. A apreciação do câmbio é conseqüência direta dessa política. A cada dia que passa, aumentam os sinais de que a economia chinesa terá que fazer uma freada de arrumação em um ponto qualquer do futuro.

Hoje em dia, o que impede a crise de governabilidade de afetar a economia é a situação das contas externas brasileiras. Uma crise na China abalaria o principal vetor de aumento das exportações do país. Mesmo assim, o Banco Central continua brincando com o câmbio, através da política de juros elevados atraindo capital financeiro. Como enfatizado em outras ocasiões, a crise virá pelo câmbio.

Ela não explode de uma vez. Os sinais vão se acumulando, de perda de mercado de um setor, de outro setor transferindo fábricas para outros países, da ausência total de investimentos públicos em infra-estrutura. A tudo isso se soma a perspectiva da mais acirrada disputa eleitoral das últimas décadas.

Haverá uma guerra sem quartel, não apenas entre PSDB e PT, mas com possibilidade do aparecimento de um terceiro candidato. Tudo isso dentro de um clima de exacerbação das acusações. Por tudo isso, é bem possível que o câmbio comece a se mover ainda no primeiro semestre. E não propriamente sob controle.

por Luís Nassif