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Produtores querem selo social para etanol do Nordeste

Os produtores de etanol do Nordeste do Brasil querem a criação de uma espécie de “selo social” para o combustível produzido na região, com o objetivo de garantir que tenham vez no mercado global que pode ser criado a partir da parceria entre Brasil e Estados Unidos.

“Queremos que, diante das nossas dificuldades de produção, sejam contemplados os aspectos sociais, já que estes empregos são muito importantes para nossa região”, afirma Edmundo Coelho Barbosa, presidente do Sindiálcool da Paraíba e um dos principais líderes dos produtores do Nordeste.

Barbosa avalia que, a exemplo do que acontece com outros produtos, a garantia de que o etanol vem de uma região onde tem uma grande importância social pode ser um apelo ao consumidor.

As condições climáticas e tecnológicas das regiões Norte e Nordeste tornam a região menos produtiva do que o Sudeste. Além da maior produtividade de cana por hectare, a cana produzida no Sudeste rende mais também na produção sucroalcooleira. As grandes empresas do setor também ficam no Sudeste.

Barbosa diz que nove usinas sustentam 50 mil empregos só na Paraíba. “O álcool produzido aqui gera empregos em uma região que não tem outras atividades econômicas”, afirma.

“É importante que a gente não caia naquele esquema de que toda água corre para o mar”, acrescenta o presidente do Sindiálcool da Paraíba.

O principal interlocutor do governo no setor privado é a União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (Unica), que reúne os grandes produtores.

Vantagens

Barbosa diz que a região tem vantagens comparativas em relação ao Sudeste, principalmente na exportação para a Venezuela e os Estados Unidos, pela proximidade geográfica.

No ano passado, diz o líder de produtores do Nordeste, todo o álcool exportado pela Petrobras foi produzido no Sudeste e embarcado a partir do porto do Rio de Janeiro.

“Não queremos favor do governo. Só queremos nos fazer ouvir e não ser deixados pra trás”, afirma Barbosa.

Os produtores do Nordeste apóiam a intenção do governo brasileiro de negociar junto com os Estados Unidos a padronização do combustível para que futuramente o etanol se converta em uma commodity negociada em bolsas.

Mas Barbosa diz que é preciso tomar cuidado para que as características especiais do Nordeste não se percam. “Nem tudo é commoditização”, conclui.