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Produtores dos EUA criticam cooperação com Brasil em etanol

Fonte: Reuters

A cooperação anunciada pelo presidente George W. Bush com o Brasil na promoção do etanol como alternativa ao petróleo será um duro golpe para produtores, fazendeiros e contribuintes dos Estados Unidos, anunciou um grupo ruralista norte-americano na sexta-feira.

Tom Buis, presidente da União Nacional dos Agricultores nos EUA, que representa pequenos produtores rurais, alertou que a proposta de Bush vai redirecionar recursos que poderiam ser usados para estimular a produção nacional de etanol, que cresce rapidamente.

“Usar os dólares do contribuinte dos EUA para encorajar uma nova produção de etanol em países estrangeiros só vai competir diretamente com a produção aqui em casa”, disse Buis em nota. “Este acordo é o passo errado, na direção errada, na hora errada.”

A recente expansão do etanol, que nos EUA é feito predominantemente de milho, já agita a economia agrícola dos EUA, elevando os preços do milho e reduzindo o espaço dedicado a outras lavouras, como as de soja.

Os pecuaristas também estão alarmados, porque a alta do preço dos grãos encarece a ração.

Bush celebrou na sexta-feira em São Paulo uma nova parceria com o governo brasileiro para promover combustíveis alternativos no hemisfério. Bush acha que combustíveis como o álcool são a saída para reduzir a dependência norte-americana em relação ao petróleo importado.

Já o senador republicano Richard Lugar elogiou a nova cooperação, por considerar que ela vai ajudar a recuperar a reputação dos EUA na América Latina e aumentar a segurança energética. “Todas as possibilidades de crescimento para a produção de biocombustíveis devem ser exploradas para reduzir nosso vício em petróleo”, afirmou.

A importação de etanol está sujeita nos EUA a uma taxa de US$ 0,54 por litro, que o Brasil quer derrubar. Bush, porém, rejeitou essa idéia durante a visita a São Paulo, afirmando que a taxa permanecerá em vigor ao menos até 2009, quando vai expirar.