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Principais efeitos da isenção do IR para estrangeiros

São Paulo – A medida Provisória (MP) que isenta as aplicações de investidores estrangeiros em títulos públicos federais mexeu com o mercado financeiro nesta Quinta-feira. Além disso, algumas conseqüências da medida já são esperadas pelos analistas. Veja aqui algumas delas:

1- Queda do dólar – Com a isenção do IR, a expectativa é de que os estrangeiros tragam mais dólares para o País. A maior oferta faz com que aumente a depreciação do dólar frente ao real. Hoje, a moeda norte-americana registrou queda de 0,98% e fechou cotado a R$ 2,1160, no patamar mais baixo desde 20 de março de 2001. O diretor de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, acredita que a desoneração dos investimentos estrangeiros no mercado de renda fixa no Brasil poderá provocar uma enxurrada de dólares no País e derrubar a cotação para menos de R$ 2,00 por dólar. “O setor financeiro mostra, mais uma vez, que pode se sobrepor aos interesses de qualquer outro setor no País, inclusive o produtivo”, criticou. Ele alertou para o fato de a queda do dólar ante o real estar criando dificuldades para setores industriais, principalmente os que utilizam muita mão-de-obra e os que têm elevado grau de nacionalização.

2 – Melhora do perfil da dívida – A queda do IR para os investimentos estrangeiros contribui para a redução do custo da dívida. Isso porque, com a maior demanda por títulos públicos federais, a expectativa é de que o governo possa diminuir os prêmios pagos para negociar os papéis. A expectativa é de que haja uma redução do custo de financiamento da dívida pública da ordem de R$ 1,2 bilhão já em 2006. De acordo com o governo, nos próximos cinco anos a economia prevista com o financiamento do custo da dívida é da ordem de R$ 7,6 bilhões. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, avalia que haverá uma concorrência saudável entre a poupança externa e a interna. Ele firma que essa desoneração vai melhorar o perfil da dívida pública e o custo de sua rolagem.

3- Mais recursos para as empresas privadas – “Estaremos atraindo a poupança externa para o financiamento da dívida pública e, com isso, abriremos mais um espaço para que a poupança interna, que hoje suporta todo o peso da dívida, seja liberada para atender a necessidade de crédito do setor produtivo”, afirma o presidente da CNI. Ele prevê que uma “concorrência saudável” entre a poupança externa e a interna pode impactar positivamente a taxa de juros. Em nota divulgada na semana passada, a CNI afirmava que a redução da tributação estimularia a permanência dos capitais externos no País por mais tempo, favorecendo a produção e o investimento.

4- A redução do IR deve diminuir a arrecadação do governo – Com a isenção de IR para o investimento estrangeiro em títulos públicos, o governo vai deixar de arrecadar R$ 152,3 milhões em 2006. Para 2007, a renúncia prevista para toda a MP é de R$ 165,2 milhões.