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Prazo no financiamento de carro pode ir a 7 anos

Maior responsável pelos recordes de vendas do setor, o crédito mais longo já está sendo estudado pelas financeiras e pelos bancos do País

Cleide Silva

O crediário, que tem ajudado a indústria automobilística a bater recordes de vendas, vai ficar mais longo. Financeiras e bancos estudam oferecer opções de pagamento em até 84 meses (sete anos), segundo dirigentes da Serasa, maior empresa brasileira de informações para concessão de empréstimos. Hoje, os prazos para carros novos vão até 72 meses (seis anos).

Em breve as lojas terão faixas oferecendo 80 meses para pagamento, diz Márcio Ferreira Torres, gerente de análise de crédito da Serasa. Pelo menos 70% das vendas de veículos são financiadas. Metade dos contratos é por prazos acima de 36 meses, segundo as montadoras. Crediário abundante, prazos longos, melhora da renda e estabilidade econômica são o combustível que mantém as vendas aquecidas.

Entre janeiro e a última terça-feira, as montadoras venderam 1,044 milhão de veículos, quase 210 mil mais que no primeiro semestre do ano passado. O volume é recorde para o período e representa crescimento de 25% nos negócios. Em junho, as vendas até o dia 26 somam 160,3 mil unidades, das quais 152,1 mil são automóveis e comercias leves e o restante, caminhões e ônibus.

A média de vendas tem se mantido na casa de 10 mil unidades por dia, um pouco acima da média de maio, quando a indústria vendeu 211,1 mil veículos, seu melhor resultado histórico. Representantes do setor calculam que neste mês as vendas fiquem próximas a 200 mil unidades. Não é sinal de desaceleração. O mês tem dois dias úteis menos que maio.

Há variadas ofertas no mercado para quem está disposto a comprometer a renda no longo prazo. A revenda Ford Sonnervig, com quatro lojas da capital, oferece o modelo Ka por 72 parcelas de R$ 490, sem entrada. Ao final do prazo, o carro terá custado R$ 36.750. À vista, sairia por R$ 22.600, uma diferença de R$ 14.150.

José Rinaldo Caporal, da consultoria Megadealer, diz que, em pouco tempo, os planos chegarão a 100 meses. Os prazos são esticados aos poucos.

Segundo Sérgio Reze, presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), quem faz financiamento em mais de 48 meses normalmente troca de carro na metade do prazo e refaz o financiamento, uma espécie de leasing à moda brasileira. Em sua opinião, no momento o mercado não precisa de períodos mais longos do que os já disponíveis.

Torres detecta aumento na inadimplência de 2,2% da carteira de financiamentos em 2005 para 3,3% atualmente. A subida sinaliza cuidado, diz, embora não seja preocupante. Nos demais setores, a inadimplência média é de 7,3%. Cada vez que o volume de negócios cresce, o pessoal de crédito fica mais flexível e empresta para todos, sem avaliar o perfil do tomador, afirma.