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Política econômica sofrerá ajustes, afirma Lula

Com Invertia Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira que haverá ajustes na política econômica. Lula, no entanto, não entrou em detalhes, mas aposta-se no afrouxamento da política de juros altos e restrição orçamentária

Questionado por jornalistas, após cerimônia realizada no Palácio do Planalto, se o governo vai realizar algum ajuste na política econômica, Lula disse apenas: “Vai, vai”.

Em seguida, os repórteres procuraram confirmar a declaração e saber quando este ajuste seria feito. “Vai, tudo vai acontecer”, limitou-se a dizer o presidente na rápida entrevista.

Lula já havia dito no início do dia, em reunião com os ministros da coordenação do governo, que a prioridade do Planalto no último ano será buscar maior crescimento da economia. Até então, no entanto, Lula havia dito que o ajuste seria feito sem alterar a política geral de estabilidade e a meta de superávit primário.

Segundo um ministro da coordenação, Lula quer incrementar investimentos privados e públicos, para tentar um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acima das expectativas de mercado, de 2,66% em 2005 e 3,5% para 2006, de acordo a pesquisa semanal do BC.

O repertório é pequeno, mas deve incluir uma redução na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que remunera os financiamentos do BNDES. Mantida fixa nos últimos meses, a TJLP vem perdendo seu diferencial frente à taxa de inflação, argumentam defensores da redução.

“O presidente avisou no início do ano que era preciso crescer, deu garantias para a estabilidade e está à vontade para cobrar resultados”, comentou o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). “Ele não ia deixar o (ministro Antonio) Palocci acabar com o governo dele.”

Depois disso o líder esclareceu que não se referiu criticamente ao desempenho do ministro Anonio Palocci, mas a resultados negativos da economia no último trimestre.

“Sem abrir mão do controle da inflação e do rigor fiscal, o presidente Lula e o ministro Palocci estão totalmente interessasos no crescimento econômico”, disse Chinaglia.

“Tanto assim que o ministro da Fazenda é o primeiro a não se satisfazer com os últimos resultados do PIB, e não há ninguém mais indicado do que ele, no governo, para vocalizar os ajustes considerados necessários.”

Ministros ouvidos pela Reuters asseguraram que, na coordenação de governo e em conversas individuais, Lula tem reconhecido o desempenho da equipe econômica, inclusive em relação à política monetária, apontada como restritiva.

“Pode ter havido um erro de posologia (administração de medicamento), mas não de diagnóstico na política monetária”, comparou um dos ministros. “Por isso, tanto o presidente quanto o ministro Palocci falam em ajustar a dosagem, mas não em mudar os rumos da economia.”

Cancelada
Ao longo da semana, Lula analisará o desempenho do PIB com a equipe econômica e quer ouvir sugestões de outros ministros, mas não fará mais uma reunião específica sobre o tema, como havia informado o ministro das Relações Institucionais, Jaques Wagner.

Segundo fontes do governo, Lula não quer criar um fórum de debates nem gerar expectativas em torno de uma reunião como esta. Ele decidiu ouvir colaboradores isoladamente, antes da reunião ministerial de balanço do ano prevista para o próximo dia 19.

O governo trabalha com a perspectiva de manter a trajetória de queda da taxa básica de juros, mas não quer comprometer dois pilares da política econômica: controle da inflação e austeridade fiscal, acrescentaram as fontes.

“Hoje há uma unanimidade em torno da queda das taxas de juros, tanto que alguns analistas prevêem uma seqüência de quatro cortes de 0,75 pontos percentuais”, disse o líder Chinaglia.

“Se há folga para reduzir a taxa básica, quando e em quanto, isso será tratado tecnicamente no local adequado”, declarou Jaques Wagner, referindo-se ao Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne na próxima semana.

O decreto de execução orçamentária editado nesta segunda-feira amplia em R$ 2,8 bilhões o limite de despesas, como desejava a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas não ameaça a meta de superávit primário de 4,25% do PIB, defendida pela equipe econômica.