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Política de inovação tecnológica demora a avançar no país

Valor Online

Raquel Salgado

Leo Pinheiro/Valor

Dante Alario Jr, presidente da Biolab: remédio novo não foi lançado no mercado porque preço autorizado foi baixo

A equipe de pesquisadores da farmacêutica Biolab passou dois anos em busca de um novo remédio. Por meio de financiamentos do governo federal e utilizando incentivos fiscais, a empresa criou um medicamento inédito no país, que sintetiza outros dois, antes vendidos separadamente: o ácido fólico e a vitamina E. São substâncias usadas por grávidas para a prevenção de uma doença chamada "espinha bífida", na qual a coluna vertebral do bebê não se fecha e deixa a medula óssea exposta. Dante Alario Jr., presidente da Biolab, porém, não tem muito o que comemorar, pois o medicamento pode não ser lançado no mercado.

O entrave se dá por conta do preço pedido pela empresa e o permitido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed). Enquanto a Biolab quer cobrar R$ 30 por 90 cápsulas – o que corresponde ao tratamento completo, já que as grávidas devem tomar uma por dia, durante três meses – a Cmed autorizou a cobrança de apenas R$ 5, um sexto do pedido pela farmacêutica.
O caso da Biolab, que emprega 1,1 mil funcionários, ilustra problemas que continuam presentes para empresas inovadoras no país, apesar dos avanços recentes. Recursos ainda são escassos, falta entrosamento entre os diversos órgãos do governo responsáveis por promovê-la, o dinheiro demora a chegar e poucas são as empresas que conseguem, de fato, acesso aos programas de incentivo e subvenção. Apesar dos problemas remanescentes, a procura por recursos para inovação tecnológica tem sido muito forte. Especialmente nas linhas que disponibilizam recursos a fundo perdido.
Uma empresa inovadora que ainda espera apoio oficial é a Silvestre Labs, farmacêutica que desbancou a Natura e a Valée e levou o prêmio de empresa mais inovadora em uma das três categorias do Índice Brasil de Inovação, organizado pelo Fórum Permanente das Relações Universidade Empresa (Uniemp), ligado à Unicamp e a (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Ela ganhou o prêmio graças a 20 anos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico "sem um único centavo de dinheiro público", conta Eduardo Cruz, o bioquímico que é diretor da empresa carioca.
A última novidade que saiu dos laboratórios da Silvestre foi o Extra Graft XG-13. Trata-se do primeiro enxerto ósseo com propriedades ósteo-indutoras, totalmente desenvolvido no Brasil a partir do estudo de células-tronco. Ele pode substituir, por exemplo, uma placa de platina, com a vantagem de não precisar ser trocado e de induzir o crescimento do tecido ósseo onde é aplicado.