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Poderosos do mundo não impedirão Brasil de crescer, diz Lula

Presidente defende o etanol como uma ´matriz energética revolucionária´

SÃO PAULO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta segunda-feira, 9, que não irá aceitar que "os poderosos do mundo" impeçam o Brasil de crescer. Em seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente, Lula afirmou que o etanol é uma "matriz energética revolucionária". "Esse é um debate que o Brasil não tem de ter medo. Nós não vamos aceitar, não vamos aceitar outra vez o cartel dos poderosos do mundo tentando impedir que o Brasil se desenvolva", disse Lula.

Lula afirmou que foi a Portugal e a Bélgica, na semana passada, apresentar "uma alternativa" para combater o aquecimento global.

Quanto às acusações de jornais europeus que afirmam que o biodiesel é um combustível sujo, e que a plantação de cana-de-açúcar pode invadir a Amazônia, o presidente disse que "os adversários vão levantar qualquer tipo de calúnia" contra o etanol e biodiesel. E lembrou que a União Européia, Japão e Estados Unidos cobram impostos do álcool brasileiro e do biodiesel, mas não cobram do petróleo.

O presidente disse que os biocombustíveis vão democratizar a produção de combustível no mundo, já que mais de 100 países poderão produzi-los. "Hoje nós temos 20 países que produzem petróleo por 200 países."

Para Lula, o argumento de que o biodiesel irá reduzir a produção de alimento é imaginar que "o ser humano seria irracional", já que a "primeira energia que o ser humano precisa é a sua própria".

Outro argumento contrário usado contra os biocombustíveis é que irá invadir a Amazônia. "A Amazônia não é lugar de plantar cana porque a temperatura não é propícia para isso", argumentou Lula.

Rodada Doha

O presidente Lula disse que há chances de ser retomada a Rodada Doha. Lula disse que quer que os estados Unidos reduzam o subsídio à agricultura. "Os últimos três anos, deram US$ 15 bilhões de subsídios. Estamos pedindo que eles dêem apenas 12. Eles estão propondo 17. Ou seja, estão querendo aumentar, inclusive, a média dos últimos três anos", explicou o preesidente, afirmando que isso não é aceitável.

"A União Européia, além de não mexer nada nos coeficientes da agricultura, ela quer que nós baixemos o coeficiente dos produtos industriais. E o que eles querem? Que a gente abra nossa indústria para eles e eles não abrem a agricultura para os países do terceiro mundo. Também não dá!"