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PHB produzirá plástico a partir do açúcar

Mônica Scaramuzzo De São Paulo

A PHB S/A, com sede em Serrana, a 20 quilômetros de Ribeirão Preto (SP), planeja investir US$ 50 milhões em uma fábrica para transformar açúcar em plástico. Segundo Sylvio Ortega, diretor-executivo da empresa, a unidade, que será a primeira do mundo a produzir polímeros de origem vegetal em escala comercial, deverá entrar em operação em 2008 para atender à demanda do mercado externo.

O local para a instalação da planta ainda não foi definido. “Vamos exportar o produto para Japão, Alemanha e Espanha”, disse Ortega ao Valor. O açúcar, neste caso, é a principal matéria-prima para a fabricação de plásticos biodegradáveis, que podem ser usados na fabricação de cartões de crédito, embalagens de frutas e revestimentos para computadores.

A pesquisa envolvendo o açúcar no processo de produção de plástico começou no início do século passado, mas não foi levada adiante, de acordo com Ortega.

No Brasil, pesquisas nesse sentido ganharam fôlego entre a metade das décadas de 1980 e 1990 com a parceria fechada entre o Centro de Tecnologia Canavieira (ex-Copersucar), o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e o departamento de Ciências Biológicas da USP (Universidade de São Paulo). O estudo sobre os polímeros de origem biológica é uma alternativa aos polímeros fósseis, produzidos a partir do petróleo, conforme explicou Jaime Finguerut, gestor de programas de pesquisa do CTC.

Em 2000, os direitos da tecnologia foram repassados pela Copersucar para a PHB, joint-venture entre os grupos sucroalcooleiros Irmãos Biagi e Balbo. Naquele ano, as duas empresas se uniram para desenvolver o produto em escala industrial. A sigla da companhia criada pelos parceiros significa polihidroxibutirato, que vem a ser o nome da resina utilizada na fabricação do plástico biodegradável.

Segundo Finguerut, o Brasil passou a liderar essas pesquisas na década de 1980, mas, na época, não havia interesse industrial em sua aplicação. As pesquisas começaram a ser testadas em escala industrial nestes últimos quatro anos, e e já atraíram a atenção de potenciais clientes na Europa e no Japão.

Segundo Ortega, na Europa cresce o interesse sobretudo em comprovar o destino final do plástico. “Quando se analisa o ciclo de vida do plástico, por exemplo, sabe-se que o processo de degradação do produto demora em torno de 150 anos”, disse o executivo. Os biopolímeros podem se decompor em um décimo deste período, conforme Finguerut.

O gestor do CTC afirmou que no processo de fermentação do açúcar várias linhagens de bactérias envolvidas na reciclagem de material orgânico foram selecionadas ao longo dos últimos anos. Entre as várias bactérias selecionadas, a mais utilizada é a Ralstonia eutropha (Alcaligenes eutrophus). Em uma matemática mais simples, a equação “açúcar mais bactéria igual a plástico” utiliza a seguinte proporção: três quilos de açúcar igual a um quilo de plástico.

Criado na década de 1970, o CTC desenvolve há anos novos mercados para açúcar e álcool, mas a valorização dos preços da commodity nos últimos anos limita o interesse das usinas em novos mercados para o açúcar, admitiu Tadeu Andrade, diretor do centro. “Em época de preços firmes para os produtos, as usinas deixam este interesse de lado”, observou Andrade.