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Pequenos negócios apertam os cintos para evitar demissões

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Do total de demissões, 407,3 mil (62,2%) referem-se a médias e grandes empresas; micro e pequenas representam 97% do universo de empresas brasileiras

Clara Favilla

Brasília – O diretor de Administração e Finanças do Sebrae Nacional, economista Carlos Alberto dos Santos, alerta para certos cuidados que devem ser tomados nas análises dos números recentes sobre a evolução do nível de ocupação, levando-se em conta empresas formais de vários portes.

Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, em dezembro de 2008 foram eliminados 655 mil postos de trabalho, um indicativo de que as empresas estão se ajustando às novas expectativas quanto à demanda interna e externa, em função da crise financeira global. Do total de demissões, 407,3 mil (62,2%) referem-se a médias e grandes empresas. Micro e pequenas representam 97% do universo de empresas brasileiras.

Um ponto importante a ser considerado é que a maioria dos pequenos negócios são unidades produtivas ou prestadoras de serviços com poucos empregados que não sejam da família do proprietario. Essa força de trabalho não pode ser vista apenas como custo variável, os primeiros a serem cortados, quando há uma retração da demanda.

"Nem sempre os pequenos negócios podem ser analisados pelos mesmo parâmetros das empresas de médio e grande porte", afirma. Segundo o diretor, uma redução de custos em um pequeno negócio acontece, quase sempre, "apertando-se os cintos", reduzindo as retiradas do proprietário. Outros pontos que devem ser considerados: as dispensas feitas por grandes empresas são massivas, quase sempre localizadas e, por isso mesmo, rendem manchetes na mídia. O que provocam a idéia de que se espalha de forma igual por todos os segmentos produtivos e portes de empresas.

Mesmo levando-se em conta o critério de número de empregados e não o de faturamento, para enquadramento de empresas como micro e pequenas, o que provoca grandes distorções na maioria das análises, o segmento das MPE está demitindo proporcionalmente menos, segundo análise feita pelo Sebrae, a partir de dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

1. O setor que mais sentiu a retração dos empregos foi a indústria de transformação, que dispensou 273,2 mil trabalhadores, dos quais 64% (175 mil) tiveram origem nas médias e grandes empresas e 36% nas micro e pequenas (98,2 mil).

2. As micro e pequenas empresas do setor do comércio, responsável por cerca de 23% do total de trabalhadores formais ocupados no Brasil, ao fim de dezembro de 2008 foram as únicas que apresentaram saldo positivo de trabalhadores no mês, responsáveis pelo saldo líquido de 7,5 mil postos de trabalho;

3. Já no setor dos serviços, as médias e grandes empresas apresentaram redução relativa de 0,9% no número de trabalhadores ocupados em dezembro, enquanto que nas micro e pequenas empresas a redução foi maior: 1,08%.

4. O setor agropecuário foi aquele no qual ocorreram as maiores reduções relativas de emprego no mês de dezembro e este comportamento afetou mais as médias e grandes empresas, que no mês registraram redução de 10,4% no efetivo de trabalhadores, enquanto que nas micro e pequenas a redução foi de 5,52%.

Serviço:
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