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Páscoa incrementa produção do chocolate artesanal na Paraíba

Iniciativas de pequenos empreendedores demonstram o potencial do feriado para a realização de bons negócios

Rodrigo Apolinário e Valter Roque

Campina Grande – De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), a indústria alimentícia brasileira chega a abril de 2007 com 100 milhões de ovos de Páscoa no mercado.

Os dados apontam um acréscimo de 5% sobre a produção do ano passado, o que corresponde a 21,4 mil toneladas de chocolate, sendo que o mercado informal e artesanal responsável por 3,5 mil toneladas desse total.

Os números mostram que a Páscoa é uma época rentável não apenas para as marcas consagradas de doces e chocolates, contemplando também as pequenas iniciativas. Quem percebeu a oportunidade de fazer bons negócios nesse período foi a doméstica Júlia Poliana, 23 anos, da cidade de Sumé, na região do Cariri paraibano, que produz e vende trufas, pirulitos e cestas de chocolate há quase um ano.

Com a aproximação da data, ela diversificou os produtos e apostou nos ovos de chocolate. No mês de março, conseguiu vender 230 unidades. “Tive que dedicar mais tempo para a produção de chocolates, mas valeu a pena. Consegui uma renda extra de R$ 300 apenas com os ovos de Páscoa”, avalia Júlia, que vende os seus produtos para panificadoras e pequenos comércios da própria cidade e de dois municípios vizinhos.

A jovem empreendedora passou a investir nas delícias do cacau depois que participou de uma oficina culinária do Sábado Empreendedor, que o Sebrae na Paraíba realizou na cidade de Sumé, em maio de 2006. “Estava procurando um meio de ter uma renda que complementasse o que eu ganhava no meu trabalho de doméstica. Após um dia inteiro de curso, saí da sala de aula com a idéia de que o chocolate me proporcionaria isso”, explica.

Na época, Júlia Poliana contava com apenas R$ 16 e foi com esse pequeno capital que ela investiu no seu próprio negócio. A quantidade de chocolate que comprou serviu para produzir as suas primeiras 25 trufas, as quais ela vendeu para amigos e vizinhos.

O lucro foi investido na compra de mais matéria-prima e aos poucos os números da produção cresceram. Hoje, Júlia conta com a colaboração de duas irmãs e produz, em média, cerca de 200 trufas por semana.

A trufa como diferencial

Outro exemplo bem-sucedido de bons negócios com sabor de chocolate é o da empresária campinense Adalúcia Taberges, que há cinco anos produz trufas. Nesta Páscoa, ela inovou com a produção de um ovo de chocolate diferente, cuja casca é feita com os mesmos ingredientes da trufa. “A inovação conquistou os clientes pelo diferencial, sendo um dos produtos mais procurados nesse período” disse a empresária.

Adalúcia produz em torno de 400 trufas por dia, além de outros produtos feitos com chocolate, que são vendidos na loja La Trufa, nome também de sua marca, no Shopping Cirne Center, em Campina Grande. A La Trufa também abastece outros pontos de revenda de doces e está presente nas prateleiras de diversas panificadoras e supermercados da cidade.

Para descobrir o doce potencial do chocolate, Adalúcia contou com a ajuda de uma amiga que a ensinou como fazer as trufas. A empresária logo experimentou o sabor de um projeto profissional que ela ainda não tinha sentido como gerente de duas lojas. Foi quando descobriu um mercado amplo pra um produto até então desconhecido.

“No início, fazia os meus chocolates em casa e saia vendendo de porta em porta. As pessoas não conheciam a trufa e eu explicava. Caminhei muito até chegar a abrir minha própria loja. Agora, eu quero crescer um pouco mais, pretendo construir uma indústria e ser distribuidora de chocolates e derivados”, planeja.

Serviço:
Sebrae na Paraíba – (83) 3218-1000