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Paraiba vai plantar girassol para biodiesel

Ministério do Desenvolvimento Agrário está buscando novas opções de geração de óleo no Nordeste

Renata Ferreira

A Paraíba vai plantar gergelim e girassol para a produção de biodiesel a partir de 2009. É o que espera o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). O Estado será zoneado para as duas culturas nos próximos dois anos e o Governo Federal trará cursos práticos ao Estado para ensinar os pequenos produtores e lidar com a novidade. Motivo: o Ministério quer “abrir o leque” de opções para a produção de biodiesel no Nordeste, que até agora tem centrado esforços na mamona.

Com planos de servir à indústria de combustível no País, o Governo Federal já zoneou a Paraíba para a mamona e para o algodão. No próximo ano, será a vez do gergelim e, em 2009, do amendoim (que já é cultivado no Estado) e do girassol. O zoneamento é um estudo que define as melhores aéreas e melhores períodos de plantio para uma determinada cultura.

O Governo tem centrado tantos esforços no incentivo à produção de oleaginosas porque o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel prevê que, a partir do próximo ano, será obrigatória (e não mais facultativa, como é hoje) a adição de 2% de biodiesel ao diesel de petróleo. A partir de 2013, o acréscimo passará a ser de 5% e a demanda nacional deverá crescer para 2,4 bilhões de litros.

Para atender a essa demanda e criar uma fonte de renda a mais para os pequenos produtores, o Ministério do Desenvolvimento Agrário tem investido na agricultura familiar. No Nordeste, a aposta é a mamona, no entanto tem-se feito muitas críticas à planta. Uma delas é sobre a qualidade. Especialistas dizem que o óleo da mamona tem qualidade inferior ao retirado da soja e do girassol.

A coordenadora de biocombustível do MDA, Edna Carmélio, contesta essa análise. De acordo com ela, a mamona é uma excelente fonte de biodiesel, que produz um dos melhores óleos entre as oleaginosas. “No entanto, é verdade que a reação química dela é um pouco mais demorada”, reconhece.

Para Edna Carmélio, a principal desvantagem da mamona é o preço. Hoje, o quilo do produto custa R$ 0,60 na Paraíba. De acordo com o assessor técnico da Secretaria Estadual de Agricultura, Hélio Fernandes de Souza, a Petrobras já disse que esse valor passar disso, a mamona deixará de ser rentável para o biodiesel. O problema é que, a R$ 0,60, o lucro dos pequenos produtores é muito pequeno.

Estado não possui usina

De acordo com Hélio Fernandes, o Governo do Estado está trabalhando para melhorar as condições da cultura da mamona com o incentivo à redução dos custos e investindo em novas tecnologias, através da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba). “Se conseguirmos desenvolver uma mamona com melhor produtividade vamos resolver parte do problema”, explica. A Secretaria também orienta os agricultores a também plantar feijão. Desta forma, ele mantém uma fonte de renda no período que a mamona não dá retorno. No Sertão, a colheita da mamona é no final de outubro; na região do Brejo, em janeiro.

Na briga pelos investimentos que virão do Programa do Biodiesel, a Paraíba ainda não conseguiu se destacar. De acordo com Edna Carmélio, do MDA, o Estado não possui nenhuma usina de biocombustível certificada pelo Ministério. Já alguns vizinhos nordestinos vão conseguir, inclusive, sediar usinas da Petrobras, que demonstra interesse crescente no setor. A Estatal, que obteve lucro de R$ 25,9 bilhões no ano passado, vai começar nos próximos meses a construir três usinas: uma no Ceará, outra na Bahia e uma terceiro em Minas Gerais.

Mamona tem lucro pequeno

Hélio Fernandes explica que os gastos para produzir um hectare de mamona na Paraíba são de R$ 500 por safra. colhe em torno de 1,2 toneladas por hectare. Vendendo o quilo a R$ 0,60, apura apenas R$ 720, ou seja, obtém um lucro de apenas R$ 220 no espaço de 250 dias, que é o tempo entre a plantação e a colheita.

“Falta vontade política”

Para a coordenadora de bicombustíveis do MDA, a Paraíba tem problemas para deslanchar nesse mercado por falta de vontade política.

“Afinal, por que foi que uma Petrobras decidiu investir numa cidadezinha como Quixadá, no interior do Ceará, pra construir sua usina de biodiesel? Porque as lideranças locais brigaram por isso”, opina.

Segundo ela, as 674 famílias, em 23 municípios, que hoje plantam mamona para produção de biodiesel vendem toda a colheita para Brasil Ecodiesel, que tem unidades no Piauí, no Ceará e na Bahia.

A renda desses agricultores gira em torno de R$ 1 mil por ano. “Parece pouco, mas estamos falando de famílias com renda anual de R$ 3 mil, portanto já é um acréscimo de um terço nos rendimentos dessas pessoas”, avalia.

Já o assessor técnico da Secretaria Estadual de Agricultura, Hélio Fernandes, contesta a informação. De acordo com ele, existem sim usinas na Paraíba. “Uma fica no município de São Mamede e tem capacidade para 30 toneladas de mamona e a outra está em Pocinhos e tem capacidade para 40 toneladas”, afirma.

As duas empresas, de acordo com ele, estão totalmente instaladas, mas ainda não começaram a funcionar porque a Paraíba ainda não oferecer uma produção de oleaginosas grande o suficiente para atender às necessidades.

Segundo Fernandes, o Estado tem três mil hectares plantados e colhe apenas entre 800 e 900 quilos de mamona por ano. “Essas usinas se instalaram apenas na expectativa do programa do biodiesel que, não temo dúvida, vai logo deslanchar”, afirma.