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País à beira de uma crise fiscal

O consultor econômico do Senado, Marcos Mendes, prevê que o Brasil mergulhará numa crise fiscal nos próximos anos por conta do aumento do gasto público. Segundo o economista, o crescimento das despesas tem sido observado ao longos dos últimos anos e não se restringe ao fato de ser um período eleitoral. “O grande problema é que os itens de gastos que estão aumentando são permanentes. Quando você aumenta as despesas com pessoal ou reajusta o salário mínimo, é muito difícil comprimir isso depois. Esses gastos vêm para ficar”, avaliou Mendes. .

De acordo com o economista, desde 1996, o gasto corrente tem crescido fortemente, e o governo tem aumentado a carga tributária para fazer frente a isso. “Mas a carga tributária está chegando a seu nível máximo. Daqui para a frente será muito difícil aumentar mais impostos”, afirmou.

Controle – Segundo o consultor, o desafio do próximo governo será enfrentar a questão fiscal e “reconhecer que é um problema”. “Não temos outra solução que não controlar o gasto público. Se não fizermos isso, estaremos condenados a ter uma baixa taxa de crescimento”, alertou.

Mendes ressaltou que o superávit primário é um primeiro passo para fazer um ajuste fiscal, mas será preciso ir muito além. “Nós estamos desde 1999 gerando superávit primário, mas estamos chegando à exaustão desse processo. Para gerar esse superávit, tivemos de cortar muito investimento público e aumentar demais a carga tributária porque não se teve força política para controlar a expansão do gasto corrente”, explicou.

“Simplesmente gerar superávit não é mais suficiente. Temos de dar um passo adiante e melhorar a qualidade do ajuste fiscal. É melhor tomar conta disso agora do que ter de tomar conta disso no meio de uma crise fiscal grave”, disse o economista, que foi um dos participantes, ontem, do seminário “A Crise Fiscal que Virá: 2007-2008”, promovido pelo Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial em São Paulo. ( AE )