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Os cabeças de planilha

Luís Nassif
La Insignia. Brasil, abril de 2007.

Em [13/04/2007] lancei meu livro "Os Cabeças de Planilha: como a Política Econômica de FHC repetiu os erros de Rui Barbosa" (Editora Ediouro). O lançamento no Rio de Janeiro será no dia 19 próximo, na Livraria Argumento do Leblon.

É um livro em que procurei entender o por quê da permanente perda de oportunidades que tem caracterizado a história do Brasil. No início da República, o país poderia ter dado um salto no processo de substituição de importações, aproveitado os ventos da globalização financeira, da vida da imigrantes. A oportunidade foi desperdiçada na primeira política monetária da República, de Rui Barbosa.

Nos anos 90, o país conseguiu o maior conjunto de fatores positivos simultâneos da sua história, uma chance inigualável. Saía-se de um período de fechamento econômico. Houve uma dura transição, na qual foram moldadas novas idéias, novos fatores portadores de futuro, como os programas de gestão e qualidade, o salto civilizatório da Constituição de 1988, o primeiro ano de governo Collor.

Internacionalmente, havia a quebra da cadeia produtiva das grandes multinacionais, que passaram a realocar suas unidades fabris por vários países. China, Rússia e Brasil eram alguns dos países preferenciais.

Nos dois momentos, as autoridades econômicas tiveram a oportunidade de proceder a uma remonetização da economia – isto é, a comandar um processo de injeção de dinheiro na economia. No início da República, em função da mudança das relações do campo, com Abolição e imigrantes, forçando o aumento do numerário disponível. Em 1994, com a troca de moeda para o Real.

Esses momentos dão enormes possibilidades de ganhos a indivíduos ou pessoas. Há dois passos a serem dados. O primeiro, conferir privilégios a alguns grupos para comandar a remonetização – isto é, a emissão de moeda. O segundo, criar um campo adequado para que a liquidez dos grupos se transformasse em riqueza.

Primeiro Ministro da Fazenda da República, Rui Barbosa, beneficiou o Conselheiro Mayrink, um aventureiro que era dono de um banco sub-capitalizado. Conferiu-lhe poder de emissão.

O dinheiro emitido era utilizado para jogadas especulativas na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. Depois da "tacada" (expressão empregada por seu cunhado, Carlitos), Rui tratou de administrar a economia. Mas se enfraqueceu politicamente, foi obrigado a uma série de concessões adicionais para impedir a quebra de Mayrink. Saiu do governo sócio de empresas de Mayrink, mas deixando o país quebrado.

No Plano Real ocorreu processo semelhante. Através das regras de monetização, permitiu-se que o controle da liquidez ficasse em mãos de bancos de investimento ligados a economistas do Real. Essa liquidez foi utilizada para jogadas especulativas no mercado futuro de câmbio. A "tacada" consistia em forçar uma desvalorização do dólar – que, apesar da promessa de que ficaria em um por um com o real, caiu para 90 centavos, depois para 80 centavos. Depois, caiu-se em uma armadilha da qual não se saiu até hoje.

Dois presidentes superficiais e sem postura de estadista, trataram de perpetuar o modelo, criado por uma distorção.

Não se trata de um livro de denúncias. Mas de uma tentativa de explicar a armadilha em que o país caiu em 1994, que gerou uma dívida pública monumental, estagnação e desânimo com o futuro.

Etanol e EUA 1

Não há nenhum interesse dos produtores brasileiros em derrubar as tarifas de proteção ao etanol de milho americano. Essa conclusão foi unânime no 40º Seminário do Projeto Brasil sobre Biocombustíveis. Primeiro, porque nos próximos anos o Brasil não terá excedente de etanol para exportar para os Estados Unidos. Depois, porque se pretende criar mercado. Nessa estratégia, o produtor americano é aliado.

Etanol e EUA 2

Os grandes adversários dos produtores de etanol são as empresas petrolíferas. O tema etanol só entrou na pauta americana quando a tecnologia avançou e o milho se tornou uma alternativa, ainda que pouco eficiente, de substituição da gasolina. Por isso mesmo, há uma clara consciência de que esse produtor tem que abrir o mercado para o álcool, sem se sentir ameaçado pelos produtores brasileiros.

Mini-usinas

Outro ponto de consenso é quanto à inviabilidade das mini-usinas de biodiesel. Tem que haver a inclusão dos pequenos produtores, especialmente em culturas como as da mamona. Mas o biodiesel exige um controle de qualidade muitíssimo mais rigoroso do que o etanol São 19 exames de especificações técnicas, impossíveis de serem atendidos por mini-usinas. No máximo, serviriam para auto-consumo.

A Ecodiesel

Maior empresa do ramo, com uma base de produção em cima de agricultura familiar, a Brasil Ecodiesel viveu algumas experiências inéditas quando começou a organizar as famílias. Montou um programa de coleta de lixo. Nos dois primeiros meses não havia lixo a recolher. Constatou que as famílias sequer tinham renda para gerar lixo. Depois, o lixo começou a ser produzido, mas o programa de lixo seletivo havia sido desativado.

Parceiros

Para incluir as famílias, a Ecodiesel conta com parcerias com Sebrae, Banco do Brasil, ABN Amro, ONGs. Mas o principal aliado são os sindicatos de trabalhadores rurais e também o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Com eles fluíram não só as negociações, mas os programas de assistência e apoio às famílias incluídas no projeto. Internamente, são 600 famílias, com mais de 3.500 pessoas.

Estoques de petróleo

Os preços do petróleo dispararam, os estoques aumentaram. Agora, os estoques estão baixos novamente. E a Agência Internacional de Energia (AIE) alerta que essa situação, mais o corte na produção pelos países da OPEP poderão gerar um novo stress de preço no mercado internacional. No mês que vem, aliás, sairá petróleo pela primeira vez de um poço brasileiro inteiramente perfurado por uma multinacional.