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Oposição é contra CPMF por rejeitar torneiro mecânico presidente, diz Lula

Ele acusa PSDB e DEM de tentar instalar nova crise e, em tom emotivo, pede que não prejudiquem pobres

Silvia Amorim

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou ontem o PSDB e o DEM de usar o debate em torno da prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) para empreender uma cruzada contra ele. Lula retomou o discurso do preconceito contra sua origem e afirmou que o esforço da oposição tem sido para instalar uma nova crise no País.

“Nós estamos percebendo, agora, lá no Senado Federal, que tem algumas pessoas, não todas, dos partidos de oposição, que não querem, não aceitam que este país dê certo. Muito menos admitem o sucesso de um torneiro mecânico na Presidência da República”, afirmou Lula, arrancando aplausos das cerca de 2 mil pessoas que acompanhavam o anúncio de obras e melhorias para o Amapá.

Deixando de lado as cifras bilionárias da CPMF, desta vez Lula optou por um discurso mais emotivo para defender a continuidade do imposto. Disse que os senadores oposicionistas têm em mãos muitos outros instrumentos para desgastá-lo e não precisam prejudicar a população.“Que subam na tribuna e passem 24 horas direto falando mal de mim, que façam o que quiserem, mas não prejudiquem a parte mais pobre deste país, que, no fundo, será a beneficiária da CPMF”, disse. “Quero pedir ao Waldez Góes (governador do Amapá) e ao Roberto Requião (governador do Paraná, que acompanhou a visita) que digam aos senadores que não querem que este país dê certo que tentem me prejudicar de outra forma.”

Lula, que teve a seu lado durante toda a visita o senador José Sarney (PMDB-AP), um dos nomes cotados para assumir a presidência do Senado no lugar de Renan Calheiros (PMDB-AL), acusou a oposição de tentar instalar uma nova crise no governo. “Me parece que lamentavelmente tem gente que acha que não pode dar certo, que o Brasil precisa de uma crise, porque sem crise a gente não tira proveito de nada.”

À platéia, na maioria moradores de cidade vizinhas de Macapá levados ao evento por ônibus fretados pelo governo do Estado, o presidente voltou a pedir a vigilância sobre os senadores. “Meus companheiros, é importante vocês ficarem atentos sobre qual será o voto dos senadores na próxima semana, ou sei lá quando é que vão votar.”

A emenda que prorroga a cobrança da CPMF até 2011 precisa ser votada até 31 de dezembro, senão será automaticamente extinta. O imposto do cheque significa arrecadação de cerca de R$ 40 bilhões em 2008, segundo números do governo.

Lula, que foi contra a criação do tributo no governo FHC, ontem disse que se trata de um imposto justo. “Na verdade, os que são contra esse imposto são aqueles que adorariam poder sonegar como sonegaram a vida inteira neste país.” Recorrendo mais uma vez ao discurso do medo, repetiu que, caso o imposto do cheque não seja prorrogado, “prefeitos e governadores vão sofrer”. “Porque na hora que tiver de cortar R$ 40 bilhões, vamos ter de tirar de algum lugar.”

Em Macapá, o presidente assinou decreto que transfere para o Estado 3,8 milhões de hectares de terras – 12% do território do Amapá – que pertencem à União. A medida vai beneficiar 11 mil famílias que tentam regularizar a posse de suas propriedades, reivindicação do Amapá desde 1988, quando passou a Estado. Lula, que foi homenageado com o título de cidadão amapaense pela Assembléia, também anunciou a retomada das obras do aeroporto de Macapá e melhorias para a BR 156.