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Operação factoide

Carta Capital

Não precisava nem dizer explicitamente, mas uma frase do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, traduziu o interesse pela ebulição de mais um factoide: “Matar a Dilma”. Matar a ministra-chefe da Casa Civil, ou no mínimo colar nela a pecha de mentirosa, tornou-se uma obsessão oposicionista, alimentada por aquele apoio unânime dos principais meios de comunicação. Não importa se existem bases reais ou se tudo não passa de mais um factoide que se esvairá no vento. No episódio que desencadeou no depoimento da ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira prevaleceu a mesma lógica invertida de casos anteriores: cobra-se de Dilma Rousseff, acusada de tentar interferir em uma investigação da Receita Federal contra Fernando Sarney, o ônus de provar-se inocente. Já Lina Vieira, tratada com desconfiança pela mídia quando assumiu o cargo na Receita, foi elevada ao panteão das heroínas, de quem não se cobram coerência e precisão nas declarações.

Houve ou não a tal reunião na Casa Civil? Dilma pediu ou não para que Lina acelerasse as investigações dos negócios do filho de José Sarney? O pedido foi ou não uma ingerência descabida da ministra? Uma das duas está mentindo, afirmou um tautológico Pedro Simon durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça do Senado que ouviu a ex-secretária da Receita. Mas desde sempre está definido que a verdade está com a “suave” Lina, como a definiu um colunista “independente”.

Metida em um vibrante tailleur vermelho com um cravo de tecido preto na lapela, Lina causaria, no entanto, decepção aos que esperavam vê-la tingir de sangue as paredes da CCJ. Jornalistas e senadores na plateia chegaram a comentar que a dama de vermelho amarelara diante da possibilidade de ser acusada de prevaricação: se tivesse ouvido algo ilegal da boca de Dilma Rousseff e não denunciado imediatamente, teria cometido ela mesma um crime. Daí a ex-secretária ter optado pelo uso da palavra “descabido” para definir o suposto pedido da ministra.

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