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Obama busca em reunião do G20 consenso sobre solução para crise global

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Folha Online

da Folha Online
da Efe, em Washington

Em sua primeira grande viagem internacional, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chega à Cúpula do G20 (grupo que reúne representantes de países mais ricos e dos principais emergentes), em Londres (Reino Unido), com a tarefa de alcançar um consenso sobre os estímulos para a economia global e uma reforma do sistema regulador.

O novo presidente dos Estados Unidos, de onde surgiu a atual crise econômica, aproveitará sua crescente populariadade para tentar conseguir o que, a princípio, parece muito difícil: um acordo substancial que satisfaça a todos.

As autoridades econômicas americanas defendem a ideia de dar ênfase à adoção de planos de estímulo para impulsionar as economias, de modo similar ao que os EUA fizeram com um pacote de US$ 787 bilhões, além de lançar uma mensagem convincente contra o protecionismo.

Já os europeus parecem mais inclinados a dar ênfase a uma reforma das regulações financeiras internacionais. Nesta quarta-feira, por exemplo, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, defenderam que o G20 promova a criação de uma “nova arquitetura” do sistema financeiro mundial.

Regulação

Para os líderes europeus, reforma e regulação são objetivos “não negociáveis” da cúpula. Merkel e Sarkozy criticaram a realização de encontros cujos resultados se limitam a palavras. “Queremos resultados que transformem o mundo” porque o que ocorreu agora “não pode voltar a se repetir”, declarou a chanceler alemã. “Sem uma nova regulação não haverá confiança e sem confiança não haverá relançamento econômico”, ecoou o francês.

Na reunião de ministros da Economia do G20, no último dia 14, em Londres, os representantes dos membros optaram por procurar um mínimo denominador comum e, em seu comunicado final, se limitaram a ressaltar que concordavam com a necessidade de tomar providências.

Nesta quarta, o presidente americano defendeu que seu governo está comprometido, sobretudo, com a reforma do sistema regulador. Obama vem insistindo na necessidade de uma reforma do sistema financeiro, especialmente após o pagamento de bonificações de US$ 165 milhões a executivos da seguradora AIG, que precisará de grande ajuda de fundos públicos para sobreviver.

Por outro lado, o presidente americano se mostrou reticente quanto a uma reestruturação completa do sistema atual, similar à estabelecida durante a conferência de Bretton Woods, em 1948. Antes de trabalhar por essa grande reestruturação, Obama prefere se concentrar em resolver a crise econômica que afeta os EUA.

Socorro generalizado

A reunião desta quinta-feira (2) pode ser marcada pela definição das cifras direcionadas para o socorro mundial. Segundo o ministro Guido Mantega (Fazenda), que participa do encontro ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o G20 deve aprovar a criação de um fundo internacional de US$ 1 trilhão para uma ajuda generalizada.

Desse total, segundo o ministro, US$ 200 bilhões devem ser empregados em financiamentos para o comércio internacional.

Por sua vez, Lula afirmou que o Brasil está disposto a reforçar o FMI (Fundo Monetário Internacional). “Se for necessário dar dinheiro (ao FMI) e se isso não diminuir nossas reservas, não vemos problema algum”, disse.

O Brasil está em consonância com o que defende a França. Os dois países pedem que G20 entre em acordo sobre uma estratégia comum contra crise. Entre as propostas defendidas pelo líder brasileiro está a reforma das instituições multilaterais, como o FMI, e criticou a atual desregulação do sistema financeiro mundial. E ressaltou a importância de os investimentos no sistema financeiro estarem vinculados à produção e à geração de emprego e renda.

Sarkozy, que nos últimos dias ameaçou não assinar a declaração final do encontro caso não haja uma proposta objetiva de mudança no sistema financeiro mundial, disse que vê sintonia entre as expectativas dos dois países para a reunião.

Protecionismo

Quanto a Obama, ele terá que adotar uma posição de liderança se quiser que o evento seja um sucesso. Caso contrário, seu prestígio no exterior será prejudicado, possivelmente dando início a um longo período de incerteza no mercado.

Mais cedo, antes do encontro oficial dos chefes de Estado com o premiê britânico, Gordon Brown, e com a rainha Elizabeth 2ª, Obama tratou de negar que existam divergências entre EUA e Europa na discussão de soluções para a crise.

Ao lado do primeiro-ministro do Reino Unido, Obama fez uma chamada contra o protecionismo ao afirmar que “quando os países deixam de cooperar, e se voltam para eles mesmos, os problemas só crescem”.

A declaração foi vista como contrária a uma cláusula de um dos pacotes lançados por ele neste ano para sanar a crise nos EUA. Um dos planos de estímulo aprovados em fevereiro incluía a cláusula “Buy American” (“Compre Produtos Americanos”, em tradução livre), estimulando a preferência pela compra de minério americano de ferro e aço. A cláusula foi alvo de críticas em todo o mundo, por seu caráter protecionista.

Além de tudo, Obama deverá aproveitará a reunião para estabelecer seus primeiros contatos pessoais com os líderes das principais potências. Na capital inglesa, o presidente americano deve se encontrar com nomes como o presidente russo, Dmitri Medvedev, e o líder chinês, Hu Jintao.

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