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O nível de emprego já dá sinais de mudanças

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Segundo o IBGE, houve um aumento de 0,3% do número de horas pagas. Ou seja, as empresas preferiram pagar mais horas trabalhadas do que aumentar o número de empregados, por causa da rigidez das leis trabalhistas.

Agência Estado

Os dados relativos à Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes) que o IBGE divulgou ontem (13), relativos ao mês de novembro de 2010, conduzem a algumas reflexões.

A população ocupada na indústria, com ajuste sazonal, ficou estável em novembro, situação que permanece desde agosto de 2010. Trata-se de um fato que sai da normalidade: mesmo num ano de crise, como 2009, o nível de emprego registrou crescimento em razão das festas de final do ano. Esse dado é sintoma da profunda desindustrialização pela qual passa o setor – mesmo tendo ele apresentado um crescimento acumulado no ano de 3,4%. No mesmo dia em que o IBGE divulgou suas estatísticas, a Fiesp revelou que houve uma redução do emprego industrial em São Paulo (que não inclui a mineração) de 0,8% em novembro e de 2,5% em dezembro, mas um crescimento de 4,74% no ano inteiro. O normal é haver uma queda em dezembro, mas não em novembro.

Segundo o IBGE, houve um aumento de 0,3% do número de horas pagas. Ou seja, as empresas preferiram pagar mais horas trabalhadas do que aumentar o número de empregados, por causa da rigidez das leis trabalhistas.

Sempre com ajuste sazonal, verifica-se que a Folha de Pagamento Real (isto é, com valor deflacionado) apresentou queda de 1,3%, ao contrário do que se havia verificado nos meses anteriores. Estão embutidos nesses dados os efeitos da inflação sobre o rendimento dos assalariados. Convém assinalar, porém, que, na comparação com novembro de 2009, o pagamento real cresceu de 7,4% e que essa é a décima primeira taxa positiva seguida, tendo a Folha de Pagamentos Real apresentado crescimento de 6,9% no acumulado de 11 meses. Os aumentos reais de salários não favorecem as exportações. Diante de um país como a China, que tem salários muito baixos e uma legislação trabalhista muito frouxa, nossos produtos industriais – elaborados por operários mais bem pagos – não podem enfrentar a concorrência. O exemplo mais ominoso disso é a importação de aço chinês, um produto feito com o minério do Brasil.

Os dados divulgados pelo IBGE são importantes para mostrar o que nos espera neste ano. Tudo indica que não teremos aumentos salariais reais tão substanciosos quanto os de 2010, uma vez que as pressões inflacionárias não poderão ser dominadas em curto prazo. Isso significará um afrouxamento da demanda interna, permanecendo as importações muito atraentes, por causa do câmbio.

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