Notícias


O Brasil surfa na marolinha

Redação CartaCapital

A cada dia se confirma a resistência da economia brasileira à crise financeira mundial. Os indicadores econômicos continuam a melhorar de forma sensível em praticamente todos os setores. Levada por esse otimismo, a Bolsa de Valores recuperou todas as perdas do início do ano.

A turma do “copo meio vazio” insiste por aqui em mostrar que há países, a exemplo da China, que desaceleraram menos durante a crise. Mas para a parcela da população que não foi diretamente atingida – ou seja, quem não perdeu o emprego, o crédito ou tinha dinheiro investido no exterior –, a noção de que o mundo despencava ficou confinada às páginas dos jornais.

Escapamos da recessão no segundo trimestre de 2009, seguramos em alta o volume de crédito – motor do crescimento econômico nos últimos anos – e, agora, começamos a testemunhar a retomada do emprego e do investimento. Mesmo a indústria, setor que mais se ressentiu da crise, começa a exibir sinais de recuperação.
O IBGE mostrou, na quinta-feira 24, que a taxa de desemprego se estabilizou em 8%, e a massa salarial cresceu 1% em agosto, na comparação com julho. No mês, 242 mil vagas com carteira assinada foram abertas. O instituto mostra que a inflação continua a desacelerar. A alta do IPCA-15, prévia do índice oficial, foi de 0,19% em setembro, ante 0,23% em agosto.

Com todos esses sinais positivos, o Brasil foi o primeiro país a receber a chancela de grau de investimento da agência de risco Moody’s, após o início da crise. A nota foi divulgada na terça-feira 22. “A crise demonstrou que o Brasil era mais forte que os países que já tinham recebido o grau de investimento”, afirmou o ministro Guido Mantega à Agência Estado.

De acordo com um levantamento do Ipea, divulgado na quinta-feira 24, a renda dos mais pobres cresceu três vezes mais que a dos mais ricos nos últimos oito anos. O processo de redução da desigualdade social se manteve durante a crise e tem sido um dos pilares da rápida recuperação. Até o insuspeito Luiz Carlos Mendonça de Barros, tucano de quatro costados, aposta na recuperação sustentada. Prevê crescimento de 6% no ano que vem.