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Novo modelo contábil coloca empresas do Brasil no cenário internacional

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Portal Fenacon

Folha de Londrina / PR

O País está migrando para os padrões contábeis internacionais; medidas passam a valer ainda este ano para a iniciativa privada

O Brasil vive a maior revolução contábil desde 1976. O país está migrando dos padrões, modelo e critérios locais para os internacionais. De acordo com a Lei 11.638/2007, que entrou em vigor no início de 2008, as empresas privadas terão que apresentar seus balanços conforme os novos modelos a partir deste ano e as públicas em 2012. Um dos principais objetivos é tornar mais fácil para as empresas brasileiras colocarem suas ações nas bolsas internacionais.

”Antes, muitas empresas nacionais encontravam dificuldades para entrar no mercado de ações internacional porque seus balanços tinham de ser convertidos. Agora, com a padronização, isso não será mais necessário”, explica Lucélia Lecheta, vice-presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRC) do Paraná. Ela participou do IV Encontro Paranaense da Mulher Contabilista, que terminou ontem em Londrina, reunindo cerca de 400 profissionais de 47 municípios do Paraná e outros 11 Estados.

Segundo Lucélia, a maioria das empresas no Paraná apresentou seus balanços de acordo com a padronização já no ano passado e as demais ainda estão se readequando. Para orientar os contabilistas, ela informa que o Conselho Federal de Contabilidade está implantado um curso de treinamento à distância via internet.

As novas normas, segundo Lucélia, alteram basicamente as nomenclaturas dos balanços contábeis, os critérios de avaliações dos bens – que passam a ser avaliados pelo valor de mercado -, e a contabilização nos contratos de leasing e arrendamentos. Ela reforça que todas as empresas devem adequar a sua contabilidade, desde as micros até as grandes.

Verônica de Souto Maior, membro do Conselho Federal de Contabilidade, que participou do encontro em Londrina com a palestra ”O novo perfil do profissional frente às normas internacionais de Contabilidade’, afirma que as mudanças requerem do profissional qualificação técnica adequada para poder continuar inserido no mercado. ”São novas exigências, novas necessidades e nova forma de interpretar para poder registrar e comunicar por meio de relatórios e demonstrações contábeis das empresas”, observa.

Apesar de usar números, a contabilidade é uma ciência social aplicada, influenciada pelo desenvolvimento socioeconômico do ambiente em que está inserida. ”Por isso, seria natural que cada país tivesse as suas próprias práticas e padrões contábeis”, observa Verônica.

No entanto, com a economia globalizada, é necessário padronizar os modelos para facilitar nas tomadas de decisões e nos processos de captação de recursos, principalmente de investidores e fomentadores internacionais. O Iasb – Comitê de Padrões Internacionais – é o organismo responsável por ditar as normas para o processo de convergência mundial. Mais de 100 países da comunidade europeia já adotaram as normas internacionais e o Brasil está se preparando para isso.

Resultados positivos

Há 10 anos a contadora Noeli dos Santos participa de eventos regionais, estaduais e nacionais da área contábil. ”Esta troca de experiências é muito importante para a reciclagem e para a profissão. Os temas deste ano, como o da carga tributária, são muito relevantes porque no dia a dia acabamos apenas cumprindo as obrigações fiscais e não temos dimensão do aumento destes valores”, conta.

O contador Mauro Moreschi considera que o Encontro traz muitos benefícios porque estimula a união da classe e com isso a fortalece. ”É o que está acontecendo com este setor, que está em ascenção e muito valorizado, inclusive perante o Congresso”, observa. ”Quando o contador se atualiza, ele leva o conhecimento até o empresário e, consequentemente, transmite mais confiança ao cliente”, acrescenta.

Mulheres contabilistas vão liderar a profissão

O Brasil conta com aproximadamente 430 mil inscritos no Conselho Federal de Contabilidade, desses, mais de 32 mil são do Paraná e 3 mil de Londrina. O sexo feminino já representa 50% da classe. Mudanças dos últimos anos referentes ao controle do Fisco sobre as empresas exigem profissionais mais qualificados e com habilidades específicas como concentração e organização, que segundo Paulo Caetano, presidente do Conselho Regional de Contabilidade, são adjetivos mais comuns em mulheres, ”de acordo com pesquisas científicas”, o que justifica a demanda. ”Nos próximos dez anos as mulheres vão liderar a profissão”, prevê.

Com base nisso, o Conselho de Contabilidade iniciou a realização dos Encontros Paranaenses da Mulher Contabilista. A iniciativa, que se repete a cada dois anos, tem o objetivo de discutir temas que colaborem para a atualização dos profissionais, com foco no público feminino. ”Devido à abertura de mercado e demanda, as mulheres têm se interessado mais pelo setor. Atualmente, 60% dos alunos dos cursos de contabilidade são mulheres”, diz Caetano. (A.V.)

Aline Vilalva e Gisele Mendonça
Reportagem Local

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