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Nova chefe da Receita dobrou resultado no RN

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA DA AGÊNCIA FOLHA

Com fama de durona, a nova secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, conseguiu dobrar a arrecadação do governo do Rio Grande do Norte em quatro anos, o que lhe valeu a antipatia dos empresários locais. Já entre políticos, é vista como uma técnica competente.

Foi justamente o perfil técnico que permitiu a ela servir a dois governos adversários. De 1996 a 1998 foi secretária do governador Garibaldi Alves (PMDB). Em 2003 assumiu o mesmo cargo na gestão Wilma de Faria (PSB). Hoje os dois políticos estão no mesmo palanque, mas na época não se falavam.

A façanha, dizem pessoas próximas, não se deve a apadrinhamentos políticos. Lina não tem filiação partidária. "Ninguém sabe em quem ela vota", diz o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN).

Dados do Tesouro Nacional demonstram que na sua última passagem pela secretaria de Tributação do Rio Grande do Norte a arrecadação do Estado dobrou, um crescimento de 50% acima da inflação de 2003 a 2007. A arrecadação pulou de R$ 1,2 bilhão a R$ 2,4 bilhões.

Durante sua gestão, teve embates com o setor empresarial. Com freqüência, segundo empresários, negava pleitos de empresários mesmo que isso significasse dor de cabeça para a governadora. "Ela é séria, competente e tem uma visão sistêmica. O governo acerta com a indicação dela", disse o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), um dos mais críticos ao governo Lula.

Em julho de 2007, a convite do ministro Guido Mantega, trocou a secretaria pela superintendência regional da Receita Federal da 4ª Região, responsável por Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Há uma semana, o ministro telefonou para a governadora do RN para pedir informações sobre Lina. Os dois se conheceram melhor quando ela era coordenadora do Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária). Mãe de três filhos, um deles o comediante Mução, que faz sucesso no Nordeste, ela é discreta e não frequenta eventos sociais.

Ela é uma defensora do fim da guerra fiscal entre os Estados. No Confaz, defendeu a renegociação das dívidas estaduais com o governo e o aumento dos recursos federais repassados aos Estados prejudicados pela Lei Kandir.

Advogada especializada em direito tributário, dizia que a mudança na lei de rolagem das dívidas permitiria aos governadores aumentarem os investimentos sociais e em infra-estrutura. Segundo ela, a maioria dos Estados não tinha recursos para isso, por colocarem em prática "programas rigorosos" de ajuste fiscal.