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Nem o carnaval escapa da gula do Leão

Adriana David

A festa do carnaval é alegre, colorida e empolga muitos brasileiros. Mas para a animação ser plena, o folião não pode lembrar o peso dos impostos nos itens da comemoração. A cada serpentina e punhado de confetes jogados, rolos de tributos se misturam à folia. Quase 45% do preço desses produtos equivalem a impostos, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). "O governo continua com seu carnaval tributário particular, impondo a cada folião uma alta carga de impostos embutida nos produtos consumidos nessa festa popular", afirma o diretor técnico do IBPT, João Eloi Olenike.

Latinhas de espuma em spray e colares havaianos são os itens mais tributados: 47% do preço de venda. A carga tributária da buzina a gás é tão alta quanto seu barulho. Quase metade (46,79%) do que o folião paga por ela vai para os cofres públicos.

Até para esconder o rosto sob uma máscara, o brasileiro recolhe impostos. O peso dos tributos sobre uma de plástico é de 45,13%; e sobre a de lantejoulas, de 43,91%. Fantasia, item cada vez menos usado, tem tributação variada conforme o material usado na confecção. Segundo o IBPT, o percentual pode oscilar de 37,61% (para a fantasia de escola de samba, com plumas) a 43,39% para um biquíni de lantejoulas.

Quem adora ver desfiles de escolas de samba também contribui com o Leão. Do valor do ingresso, 42% são tributos. No preço de um pacote com hotel, van e ingresso, o percentual é de 37,48%. Como com segurança não se brinca, um preservativo tem de estar à mão. Lá se vão quase 20% de impostos sobre o preço de um deles.