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Mulheres são 45% dos empreendedores individuais no país

Portal Fenacon

Folha de S.Paulo

Do total de 1,3 milhão de formalizados pela lei de 2009, 87% pretendem virar microempresários, segundo SEBRAE

Faz parte da categoria quem fatura até R$ 36 mil por ano; na microempresa, receita máxima é de R$ 240 mil

CAROLINA MATOS
DE SÃO PAULO

As mulheres representam quase metade do total de 1,3 milhão de microempreendedores individuais do Brasil. Elas são 45%, segundo estudo feito pelo Sebrae.
A lei que criou essa modalidade de empresário no país, com o propósito de tirar trabalhadores da informalidade, completa dois anos em vigor neste mês.
O levantamento também revela que 87% dos empreendedores individuais brasileiros querem transformar seus negócios em microempresas.
Isso significa ampliar bastante a atividade.
É classificado como microempreendedor individual aquele que fatura até R$ 36 mil por ano. Já a receita máxima de uma microempresa chega a R$ 240 mil anuais.
Os ramos de atuação dos empresários individuais são variados. E, nos nichos mais representativos, as mulheres só não são maioria em dois -obras de alvenaria e manutenção de equipamentos.
"A atividade do empreendedor individual possibilita certa flexibilidade de horários que facilita a rotina da mulher, que, muitas vezes, precisa se dividir entre o trabalho fora e dentro de casa", diz Luiz Barretto, presidente nacional do Sebrae.

EDUCAÇÃO
O estudo mostra ainda que 47% dos empreendedores individuais do país têm ensino médio ou técnico completo.
"O resultado pode refletir que os que se formalizaram primeiro foram os mais bem informados. O desafio é estender isso ao público com menos estudo", diz Barretto.
Na tentativa de cumprir essa meta, o Sebrae, que oferece cursos gratuitos de capacitação a micro e pequenos empresários, acaba de lançar um específico para os empreendedores individuais. Os interessados devem acessar o site: www.sebrae.com.br.
O programa inclui visitas de agentes aos estabelecimentos e o envio de informações complementares por celular, principal meio de comunicação utilizado por esse tipo de empreendedor.
Na avaliação de Paulo Feldmann, presidente do conselho da pequena empresa da Fecomercio-SP, é justamente na educação e na qualificação que está o principal gargalo ao desenvolvimento do empresário individual.
"É factível que eles se tornem, sim, microempresários, mas não podemos esperar que isso caia do céu", diz. "As mudanças em relação à gestão do negócio são enormes de um nível para outro."
Feldmann defende que se invista na formação dessas pessoas no segundo grau, já que quase metade dos empreendedores individuais concluiu o curso.
"Em outros países, como Itália e Alemanha, os estudantes têm noções básicas de contabilidade no ensino médio. É algo que faz a diferença", completa.

CONTROLAR AS CONTAS
A possibilidade de "controlar melhor as contas" foi um dos benefícios que a formalização trouxe à hoje empresária individual Simone de Oliveira, 43.
Ela passou pelo processo em novembro de 2010 se inscrevendo no site www.portaldoempreendedor.gov.br (é preciso fazer via web).
Agora, a cabeleireira, que aprendeu a profissão na prática aos 14 anos, tem uma conta no banco para o pequeno salão de beleza do bairro da Taquara, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio.
"Agora, recebo a maior parte em cartão. Antes, com pagamento só em dinheiro, era difícil saber qual era a minha receita. Acabava sempre tirando uma parte para pagar feira, supermercado… Uma confusão."

Renda da mulher contribui 2 vezes mais para a família

Segundo Goldman Sachs, elas investem 90%; homens, entre 30% e 40%

Mulheres compram mais comida, roupas, produtos para a saúde; já os homens gastam com álcool e cigarro

DE SÃO PAULO

A atividade profissional das mulheres tende a melhorar a qualidade de vida das famílias não só em função da renda obtida, mas também da qualidade dos gastos.
As mulheres investem em suas famílias, em média, 90% do que ganham no trabalho. Já entre os homens, o percentual fica entre 30% e 40%.
As informações são do banco Goldman Sachs, citando dados do Banco Mundial.
O Goldman patrocina, desde 2008, um programa para qualificar 10 mil empreendedoras em 22 países, inclusive no Brasil, até 2013.
De acordo com a instituição, as mulheres gastam mais com itens como alimentação, educação, roupas e cuidados com a saúde -principalmente para os filhos. Já os homens gastam mais com bebida alcoólica e cigarro.
Esse cenário, ainda segundo estudos do banco, é o mesmo tanto nos países mais industrializados como nos em desenvolvimento.
O projeto "10.000 Women" do Goldman se propõe a desenvolver a capacidade gerencial de mulheres que já possuem um negócio, formal ou informal, e não têm condições de pagar por cursos de qualificação. Para participar, é preciso ter segundo grau completo.

COMUNIDADES
"Também descobrimos que as mulheres que recebem esse tipo de qualificação repassam o conhecimento a outras nas suas comunidades", diz Noa Meyer, vice-presidente e diretora global do programa "10.000 Women".
No Brasil, a FGV conduz o projeto em São Paulo e a Fundação Dom Cabral, em Minas. No total, a intenção é preparar mil mulheres brasileiras em cinco anos.
Em Minas, foram formadas 200 em dois anos. E mais cem alunas começam a ter aulas no mês que vem. "As empreendedoras aprendem a estruturar o negócio para expandi-lo", afirma Rosangela Pedrosa, coordenadora técnica do programa na Dom Cabral.
"Tivemos casos de pessoas que entraram no curso com quatro colaboradores e hoje têm mais de 32 funcionários", completa. (CAROLINA MATOS)

ANÁLISE

Avaliação de novos negócios demanda boas informações sobre a atividade

MARCUS QUINTELLA
ESPECIAL PARA A FOLHA

Erros de planejamento levam negócios ao fracasso e impedem a implantação de projetos viáveis, independentemente de seu tamanho.
Qualquer empreendedor precisa elaborar um bom plano de negócios, cujos pontos principais são o conhecimento do mercado e uma avaliação financeira dos investimentos, mediante o uso de critérios e técnicas que possam indicar a atratividade potencial do projeto e de seus riscos associados.
Isso deve ser aplicado a todo tipo de novo negócio, de uma simples carroça de pipoca a uma grande indústria.
O estudo de viabilidade de um negócio não é simples, visto que há muito risco e incerteza, pois envolve uma variável que não podemos controlar: o futuro. As ferramentas e técnicas para avaliação desses ativos são as mesmas, as diferenças residem na dimensão do projeto, nas características do mercado e no tamanho dos investimentos.
Cabe ressaltar que os planos de negócios não garantirão o sucesso dos projetos, mas, pelo menos, permitirão ao empreendedor conhecer melhor as suas chances de sucesso e não tomar decisões com base em "achologia".
Na prática, empreendedores precisam de boa visão multidisciplinar e noções de previsão de mercado, marketing, planejamento estratégico, contabilidade, economia, tributarismo, informática e finanças. Por isso, boa formação específica é essencial.
Uma vez, li uma definição muito interessante sobre esse tema, que dizia que a arte da avaliação de novos negócios é o uso de informações sobre a atividade e o seu ambiente. E o prêmio vai para os que interpretam esses elementos da maneira mais inteligente e criativa e que têm a conduta e o comprometimento para fazê-los ocorrer.