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Mobile payment superará gastos com cartão de crédito na China em 2018

UOL Economia

 

 

 

 

 

Estrangeiros que viajaram à China antes das Olimpíadas de 2008, em Beijing, sabem que usar cartão de crédito no país era quase tão difícil quanto encontrar placas e menus em inglês. Na última década, porém, não só a sinalização das cidades se tornou bilíngue quanto os meios de pagamento passaram por uma revolução inédita no mundo.

Um estudo publicado pela consultoria eMarketer, em março deste ano, revela que mais de 80% dos 712 milhões de cidadãos que possuem smartphones no país usam serviços de mobile payment em seu dia a dia. Na China, paga-se de tudo com os aplicativos do Ali Pay, do grupo Alibaba, ou WeChat Pay, da Tencent. Por tudo, entenda-se deste a aquisição de um automóvel na concessionária até a esmola paga aos pedintes das grandes metrópoles.

O método de uso é simples e rápido. Lojistas, ambulantes, restaurantes, taxistas ou prestadores de serviço carregam consigo um QR Code impresso, em cartão de papel ou colado sobre os balcões de atendimento, no caso de lojas físicas. Tal QR code aponta para uma conta virtual em serviços como Ali Pay, por exemplo, e ao escaneá-lo, com seu smartphone, o consumidor transfere, em frações de segundo, dinheiro de sua carteira virtual para a carteira do vendedor.  O processo é tão rápido que as filas em caixas diminuíram sensivelmente após a adoção desta tecnologia, extremamente popular na China. Entre as vantagens da tecnologia, está o fato de dois celulares comunicarem-se entre si, sem a necessidade de conectarem-se à servidores remotos, o que frequentemente gera lentidão quando usamos, por exemplo, nossos cartões de débito com chip, no Brasil.

De acordo com um estudo publicado, este mês, pelo Banco do Povo da China, só nos últimos 10 meses, o equivalente a US$ 8 trilhões foi movimentado em pagamentos móveis.  Para usar tais serviços, basta ter um celular, um app instalado e carregá-lo com recursos de sua conta corrente. É como se você transferisse, por exemplo, R$ 300 reais de sua conta no Itaú ou Bradesco, para um app genérico no smartphone e pudesse ir às compras só com o celular. Nas próximas semanas, informa o governo local, até o metrô de Beijing poderá ser pago com mobile payment. Nada mais de fila para comprar bilhetes. Você aproxima o celular da catraca e… a tarifa já está debitada.

Tal sistema é o contrário do  cartão de crédito, em que gastamos antes para pagar depois, no vencimento da fatura. No método chinês, carrega-se antes o celular e gasta-se depois. Pode parecer estranho para nós, brasileiros, acostumados a vivermos pendurados no crédito, mas na China, onde o comportamento do consumidor é mais conservador e o medo de endividar-se bem maior, funciona incrivelmente bem.

Tão bem que players como Alibaba e Tencent estão, eles mesmos, “evangelizando” seus usuários, oferecendo empréstimo para seus clientes mais fiéis, eliminando um dos únicos diferenciais dos cartões de crédito.  A liderança  chinesa neste setor é acachapante. De acordo com a Forrester Research, o volume transacionado em pagamentos móveis na China é 90 vezes maior que o registrado no segundo maior mercado do mundo para tal tecnologia, os Estados Unidos.

Esta semana, a consultoria Nielsen apresentou um estudo indicando que as bandeiras de cartão de crédito que operam no país (Visa, Mastercard, Diners Club, Discover, American Express, UnionPay e o serviço japonês JCB) devem fechar o ano, pela primeira vez, movimentando menos recursos que os pagamentos mobile, fato inédito no mundo.

Entre as vantagens desta tecnologia, está o fato de a população rural, muitas vezes não bancarizada, ter acesso a serviços com compras online e crédito, uma vez que podem usar os apps do Ali Pay ou We Chat simplesmente carregando-os com dinheiro vivo em caixas automáticos ou, o que é mais comum, entregando dinheiro em espécie para um amigo ou parente bancarizado e pedindo que este transfira o montante equivalente para seus celulares.

País inventor do dinheiro em papel, que substituiu as pesadas moedas cunhadas em ouro e prata no longínquo século 9 d.C, a China é, mais de um milênio depois, precursora na forma de gerir pagamentos, ao liderar o serviço de mobile payment no mundo.