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Ministro e centrais aceitam mínimo de R$ 350, mas divergem sobre IR

As centrais sindicais recuaram mais uma vez e aceitaram negociar uma nova proposta para o reajuste do salário mínimo e correção da tabela de Imposto de Renda. Elas pedem que o mínimo suba de R$ 300 para R$ 350, valor tem o apoio do ministro Luiz Marinho (Trabalho). As centrais pedem, no entanto, que esse reajuste seja antecipado em dois meses, de maio para março desde ano. A partir de 2007, o aumento passaria a ocorrer em janeiro.

Antes da reunião das centrais com Marinho (Trabalho) e os ministros Nelson Machado (Previdência) e Luiz Dulci (Secretaria Geral), os sindicalistas pediam um mínimo de R$ 360. Outra reivindicação é a correção de 10% para a tabela de Imposto de Renda.

A nova proposta, apresentada hoje a Marinho, será encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão será tomada em nova reunião das centrais com o governo, marcada para quinta-feira, dia 19.

R$ 350 em março fica um pouco pesado, mas vamos encaminhar para o presidente Lula decidir, disse Marinho após a reunião de hoje, que durou cerca de três horas.

O custo da antecipação do reajuste do mínimo de maio para março é de R$ 1 bilhão, segundo Marinho.

O governo já aceita pagar um mínimo de R$ 350 a partir de maio e corrigir a tabela de IR em 7%. “São cálculos que o governo já absorve”, disse o relator do Orçamento, Carlito Merss (PT-SC). Agora, segundo ele, será necessário fazer as contas para ver se é possível atender à reivindicação das centrais.

A proposta negociada hoje com Marinho é inferior àquela fechada ontem pelas centrais sindicais, que previa um mínimo de R$ 360 e 10% de correção para a tabela de IR. Esses valores já eram inferiores à reivindicação inicial das centrais, que pediam um salário mínimo de R$ 400 e 13% de correção para a tabela de IR.

Além disso, a proposta de hoje é bem parecida com aquela que o Planalto chegou a acenar no ano passado: mínimo de R$ 350 e correção da tabela de 7%. Mais tarde, representantes da equipe econômica disseram que para elevar o salário mínimo para R$ 350 não seria possível corrigir a tabela do Imposto de Renda.

As centrais sindicais defendem ainda uma política de recuperação do valor do salário mínimo. De acordo com João Felício, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), a sugestão é de um aumento anual de 9%.

Eleições

Em um ano de disputa eleitoral, o governo Lula seria beneficiado com um aumento de salário mínimo maior, segundo o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.

“Nesse momento quem faz política sabe da importância de fazer um acordo com as centrais neste ano [de eleições]”, disse

No entanto, para Marinho, o governo não vincula a discussão do reajuste com a disputa eleitoral.

“O que facilita um aumento maior é a saúde da economia. Se a economia tivesse um desastre, não seria possível falar em um aumento nesses patamares”, disse o ministro.

O reajuste do mínimo de R$ 300 para R$ 350 representa um aumento real de 11%.

Sobre mudar a data-base de maio para janeiro, o ministro acredita que isso só será possível “em alguns anos”.

Tabela do IR

Em 2004, as centrais sindicais pediam que a tabela sofresse uma correção de 17% para zerar as perdas acumuladas no governo Lula, mas o governo concedeu um reajuste de 10%.

No ano passado, as centrais chegaram a pedir 13% de correção –referente a inflação deste ano mais 7% que não foram concedidos em 2004. Como não houve acordo, o impasse ficou para ser negociado no começo deste ano de 2006.

Desde 1996, a tabela sofreu somente duas correções: de 17,5%, em 2002, e de 10% em 2005. A equipe econômica, entretanto, sinalizou que a correção da tabela de IR não está entre as prioridades do governo. Para eles, a correção não gera justiça social, pois beneficia apenas de 6% a 7% da população –quem paga IR.