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Mínimo maior só com mais imposto

BRASÍLIA. Para financiar o novo reajuste do salário mínimo e o aumento dos investimentos, o governo não espera contar apenas com a fixação de juros menores pelo Banco Central. Outra ferramenta a ser usada pesa direto no bolso dos contribuintes. Apesar da promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reduzir a carga tributária, descumprida no ano passado, a proposta de Orçamento do ano que vem prevê uma receita administrada pelo Fisco equivalente a 17,37% do Produto Interno Bruto (PIB).

Neste ano, a expectativa é de 17,23%. A ampliação do apetite da Receita também é essencial para cobrir o déficit da Previdência Social. A estimativa é de crescimento do rombo de R$ 41 bilhões neste ano para R$ 46,4 bilhões no ano que vem. Na semana passada, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) anunciou que cobrará dos candidatos à Presidência da República propostas claras para combater o déficit previdenciário, considerado o principal responsável

pela carência de investimentos públicos no país. A CNI e outras entidades empresariais defendem o uso dos recursos que cobrem o rombo na área de infra-estrutura, a fim de superar gargalos que emperram o crescimento da economia.

Pela proposta orçamentária enviada hoje ao Congresso, a infra-estrutura receberá investimentos de R$ 13,6 bilhões no próximo ano. Do total, R$ 4,5bilhões têm origem no chamado Projeto Piloto de Investimentos e, portanto, não entram no cálculo do superávit primário do governo, cuja meta está mantida em 4,25% em 2007. (T.F. e D.P.)