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Mercado prevê queda nos juros e expansão menor da indústria

Segundo relatório do BC, mercado espera três reduções do juro de 0,25 ponto porcentual no decorrer de 2009

Fernando Nakagawa, da Agência Estado

SÃO PAULO – O mercado financeiro prevê queda na taxa básica de juros da economia (Selic) e expansão menor da produção industrial, segundo a pesquisa Focus, divulgada nesta segunda-feira, 15, pelo Banco Central. Em 2008, a produção cai de 5,47% para 5,37% e, em 2009, de 3,05% para 3,00% .  A mediana das previsões para o patamar do juro no fim do próximo ano caiu de 13,25% para 13% ao ano, na segunda queda seguida.

 

Agora, o mercado espera três reduções do juro de 0,25 ponto porcentual no decorrer do próximo ano. Há um mês, analistas esperavam Selic de 13,31% no fim de 2009. Na mesma pesquisa, a estimativa para a taxa média de juro no decorrer de 2009 caiu de 13,63% para 13,44%, ante 13,75% de um mês atrás.

 

Em termos de crescimento da economia, os analistas e empresários consultados pelo BC mantêm a aposta de expansão fraca do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009. De acordo com o levantamento, as projeções indicam um crescimento de 2,50% da economia no próximo ano, contra 5,59% em 2008.

 

Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o PIB brasileiro cresceu 6,8% no terceiro trimestre ante o mesmo período do ano passado. O dado mostra que a economia brasileira vinha em ritmo bastante acelerado antes do agravamento da crise financeira internacional, que passou a gerar efeitos negativos sobre a economia do país em outubro.

 

Inflação

 

O relatório manteve a expectativa de que o IPCA deve fechar 2009 em 5,20%, mesmo número observado há quatro semanas. Para 2008, porém, a estimativa para o índice oficial de inflação caiu de 6,20% para 6,13%, na terceira redução seguida.

 

O porcentual está acima do centro da meta de 4,5%, porém abaixo do teto, de 6,50%. Há um mês, as expectativas para o IPCA deste ano estavam em 6,39%. A mediana da estimativa suavizada para o IPCA nos próximos 12 meses também caiu e passou de 5,37% para 5,21%, na segunda queda seguida. Há quatro semanas, essa estimativa estava em 5,37%.

 

No grupo das instituições financeiras que mais acertam as projeções colhidas semanalmente pelo BC, o chamado Top 5, no cenário de médio prazo, a mediana das estimativas para o IPCA em 2009 caiu de 5,10% para 4,80%. Com essa redução significativa, o número esperado passa a ser menor que o visto há quatro semanas, quando estava em 5,06%. Para 2008, esses analistas reduziram a projeção para o IPCA de 6,15% para 6,08%, ante 6,24% de um mês atrás.

 

Entre todos os analistas consultados, a mediana das projeções para o IPCA em dezembro caiu de 0,55% para 0,50%, na quarta redução seguida da estimativa, que estava em 0,60% há um mês. Para janeiro de 2009, o mercado manteve a expectativa de IPCA de 0,55% pela quinta semana seguida.

 

No mesmo levantamento, a mediana das projeções para o IPC da Fipe em 2009 manteve-se em 4,77%, levemente superior aos 4,72% esperados há quatro semanas. Para 2008, os analistas reduziram a estimativa para o índice, de 6,50% para 6,46%, ante 6,56% de quatro pesquisas antes.

 

O mercado financeiro reduziu as projeções para os IGPs em 2009. A mediana das estimativas para o IGP-DI caiu de 5,80% para 5,70%, ante 5,80% registrados há quatro semanas. Em igual trajetória, a mediana das estimativas para o IGP-M no próximo ano caiu de 5,85% para 5,65%, na segunda redução seguida. Há quatro semanas, o número estava em 6%.

 

Para 2008, a tendência foi a mesma. Para o IGP-DI, a mediana das estimativas caiu de 10,74% para 10,02%, ante 10,97%. Para o IGP-M, analistas reduziram a estimativa de 10,51% para 10,06%, contra 11,07%. Na mesma pesquisa, analistas reduziram a estimativa para a alta dos preços administrados, as tarifas públicas, de 5,40% para 5,30% em 2009. Há um mês, o número estava em 5,38%. Para 2008, o mercado a estimativa caiu de 3,61% para 3,50%, ante 3,70%.

 

Dívida do setor público e dólar

 

Sobre a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB, a previsão para 2009 caiu de 37,76% para 37,20%. Para 2008, a estimativa caiu de 38% para 37,45%. Há um mês, as projeções para a dívida estavam em 38% e 39,04%, respectivamente.

 

As projeções para o dólar em 2009 foram mantidas, segundo a pesquisa Focus. No documento, a mediana das projeções para a taxa de câmbio no fim do próximo ano manteve-se em R$ 2,20. Há um mês, analistas esperavam dólar a R$ 2,10 no fim de dezembro de 2009. Para o câmbio no fim de 2008, as projeções subiram e a estimativa passou de R$ 2,27 para R$ 2,30. Há quatro semanas, a previsão estava em R$ 2,10.

 

No mesmo levantamento, a projeção para o câmbio médio no decorrer de 2009 manteve-se em R$ 2,20, contra R$ 2,05 de quatro semanas antes. Para a cotação média neste ano, a projeção permaneceu em R$ 1,82, ante estimativa anterior de R$ 1,79 registrada há um mês.

 

(Com Reuters)