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Mercadinho dos Bancários chega a abrir em todos os dias do ano

JEAN GREGÓRIO

Em horários e dias abertos durante o ano, nem mesmo as grandes redes de supermercados batem o Mercadinho Brilhante, na principal dos Bancários, em João Pessoa. A fama de horário prolongado e de estar aberto de segunda-feira a domingo durante os 365 dias do ano levou o estabelecimento de Antônio Brilhante a se diferenciar de todos os concorrentes e assistir ao fechamento de diversos supermercados nos últimos 17 anos, quando abriu o mercadinho, que não fecha nem na Sexta-Feira da Paixão e se mantém aberto durante as tardes e noites de domingo. “Durante à noite, atraímos consumidores de outros bairros, pois sabem que estamos aberto”, diz Graça Delgado, mulher de Brilhante, que reveza com o marido o caixa do mercadinho.

Segundo ela, o “marido tem uma força de vontade e perseverança e é exigente com os fornecedores para comprar hortifrutis e produtos regionais. Por tudo isso, ele é admirado por todos, porque ninguém agüenta o pique dele, nem mesmo os nossos filhos, que são mais jovens e sempre o ajudou”, confessa.
Graça conta que se o Mercadinho Brilhante estivesse instalado em um bairro popular, teria alcançado vôos mais altos nos negócios. “Com essa dedicação, num bairro como Mangabeira, estávamos bem melhores em termos de expansão. Aqui, nosso público é mais universitário, devido à proximidade da UFPB e do Unipê.
Já a proprietária do Mercadinho ‘O Messias’ encontrou na mudança de nome e, principalmente, na nova localização, a oportunidade de crescimento. Em apenas um ano e três meses, o mercadinho em Mandacaru cresceu 30%. “Quando mudamos para o prédio havia um antigo mercadinho com o nome ‘O Messias’, então decidimos conservar e deu certo”, lembra Márcia Helen, que era dona em Mandacaru do ‘Master Pop’.
O Messias oferece compra no cartão de crédito, mas também não abandonou o caderninho de anotação com o velho ‘fiado’, que continua presente em grande parte dos mercadinhos. “Em bairro de periferia, se não tiver fiado não funciona”, diz Marcia Helen ao acrescentar que seleciona os clientes. “Não vendemos a todo mundo, nossos clientes na caderneta são mais aposentados e pensionistas que comprava a gente desde outro mercadinho”, que reclama da concorrência dos mercadinhos informais na vizinhança. “Nós pagamos impostos e todas as obrigações enquanto eles ficam livres e tem um custo menor de despesa”, reforça. 
   
Formação de redes
O consultor do Sebrae em pequenos negócios, Chico Viana, disse que o “futuro dos mercadinhos passa em formar redes”. Segundo ele, se os mercadinhos ganham em atendimento e praticidade, perdem para as grandes redes em negociação com fornecedores e, conseqüentemente, em preço. “Os mercadinhos já possuem um cliente cativo no bairro que está fidelizado, mas precisam se organizar sem perder sua identidade (razão social) para barganhar um preço menor com os fornecedores, daí a importância da formação de rede, reduz custo e ganharem serviços como, por exemplo, oferecer plano de saúde aos funcionários”, lembrou.  
 
Viana  está orientando a formação de uma rede de 13 mercadinhos em oito bairros de João Pessoa. “Já há experiências de redes de minimercados bem-sucedidas em  cidades do interior da Paraíba como Campina Grande, Patos, Sousa e Pombal.