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Menor carga tributária pode ajudar País a obter investimentos

Agência Estado

Um ambiente de menor carga tributária e de expressiva previsibilidade política pode favorecer o Brasil na atração de investimentos estrangeiros em meio às ações populistas que vêm emergindo na América Latina, como a nacionalização do petróleo e gás na Bolívia, decretada pelo presidente daquele país, Evo Morales. “Enviar fortes sinais aos investidores é a chave para o Brasil”, disse Lisa Schineller, diretora de Rating Soberano da Standard & Poor’s (S&P).

Roger Scher, diretor-gerente e chefe de Rating Soberano para América Latina da agência Fitch Ratings , citou um artigo recente do ex-ministro mexicano Jorge Castañeda enquadrando Lula em uma esquerda “moderna, mente aberta e reformista”, da qual também faria parte Michelle Bachelet, do Chile, mas acrescenta que, se reeleito, o presidente Lula deveria ter muito claro qual o ponto de políticas ortodoxas para benefício de ações sociais.
Schineller ponderou que não é “benéfico generalizar a experiência na Bolívia para a região como um todo”. Ações como a anunciada por Morales estão “acontecendo em países de fracas instituições políticas”, disse a analista da S&P.

O fato de Morales ter anunciado a nacionalização das reservas de petróleo e gás durante as comemorações do primeiro de maio, revela um forte viés populista — um fato que não surpreende os analistas. “(Esta) é indicação de uma tendência na América Latina. Um populismo que não é novo”, disse o especialista da Fitch.

Schineller citou que alguns países, como é o caso da Venezuela, estavam tentando extrair mais do investidor estrangeiro, em uma referência à tentativa do país de mudar contratos de petrolíferas de forma unilateral. Estes países, apontou a analista, não serão vistos com forte apetite pelos investidores estrangeiros. Uma questão que abre dúvidas sobre a trajetória do ritmo do fluxo de investimento estrangeiro para estes países na região no médio prazo.

Para o analista da Fitch, não há surpresa quanto a manifestações populistas na região. Ele exemplifica que, com indicadores econômicos tendo melhor desempenho, mas com níveis ainda elevados de pobreza na região, é até previsível a eleição de candidatos mais populistas.

No Brasil, disse Schineller, as instituições são mais fortes do que em outros países da América Latina. A analista cita que a Petrobras tem parceiros internacionais, mas que não detêm poder de voto, sendo, em teoria, a própria estatal a líder de suas operações. Trazer mais investidores é crucial, estima a analista da S&P. Ela destaca a criação de um ambiente de menor carga tributária e elevada previsibilidade política no País, uma vez que “os investidores internacionais irão olhar no Brasil estes fatores cruciais”.