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Melhores salários nas pequenas

Fátima Lourenço

ano de 2006 tende a ser bom para as micros e pequenas empresas do Estado de São Paulo, com reflexo na melhoria tanto da remuneração de seus empregados, como dos níveis de ocupação. Em fevereiro deste ano o rendimento médio no setor chegou a R$ 677. “É o melhor fevereiro desde o ano 2000”, comentou Marco Aurélio Bedê, gerente de pesquisa econômica do Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae/SP), que divulgou ontem a pesquisa sobre rendimentos e ocupações.

De acordo com Bedê, a remuneração dos empregados diretos dessas empresas cresce desde agosto de 2005, quando alcançou o patamar de R$ 650. Segundo sua análise, a remuneração média tende a subir ao longo do ano, embora não deva superar o melhor fevereiro da série, com R$ 733, alcançado no ano 2000.

No detalhamento dos rendimentos por setor, a pesquisa do Sebrae aponta a indústria como fonte das melhores remunerações, com média de R$ 736 em fevereiro. Cristina Grenier está entre os empresários que contribuíram para alavancar a remuneração do setor. À frente de um negócio voltado à fabricação de bolsas, criado há 15 anos por sua mãe, a empresária emprega cinco funcionários diretos, para os quais concedeu reajustes reais acima do piso do setor. “Os aumentos variaram de 5% a 10%, a partir do segundo semestre do ano passado”, explicou.

A Grenier comercializa seus produtos no atacado, por meio da internet e também com exportações para o Canadá e Espanha. Além da venda de produtos próprios, a empresa fabrica para terceiros, atendendo marcas como Tok & Stok e Track & Field.

O aumento real concedido aos funcionários deu-se por conta do crescimento da empresa. “A Grenier melhorou, conquistamos novas contas e eu decidi repassar isso para os funcionários”, disse Cristina. A empresária produz de 1,5 mil a 2 mil bolsas por mês e contabilizou, em 2005, crescimento de 25% no faturamento. Neste ano, o projeto é crescer pelo menos outros 15%.

Regiões – De acordo com a pesquisa do Sebrae, os maiores rendimentos são pagos por micros e pequenas empresas da capital paulista, mas a recuperação, de acordo com a série histórica do estudo, dá-se de forma mais intensa nas cidades do interior do estado. “Em fevereiro de 1999, o pagamento no interior era 26% inferior ao registrado na capital. Hoje, caiu para 20%”, disse Bedê.

Em fevereiro de 2006, a média da remuneração na capital foi de R$ 770, contra R$ 744 na Região Metropolitana, ou R$ 697, se considerado somente o Grande ABC.

Para o conjunto das micros e pequenas empresas do Estado de São Paulo, a perspectiva, segundo análise de Bedê, do Sebrae, é finalizar 2006 com crescimento médio de 3%. Ele relaciona, entre os fatores favoráveis, a inflação sob controle, juros em queda e a expectativa de crescimento do consumo interno. “Deverá ser um crescimento um pouco abaixo do PIB (Produto Interno Bruto), mas fará com que elas vendam mais e gerem mais emprego.”

Ocupação – Segundo a pesquisa do Sebrae/SP, cada micro e pequena empresa empregava, em fevereiro, 4,33 pessoas. “É o melhor desempenho dos últimos cinco anos, mas 10% abaixo de fevereiro de 2001, antes de acontecer o apagão”, comparou Bedê. No período entre fevereiro do ano passado e deste, houve crescimento de 10 mil vagas.