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Mais R$35,5 bi na economia

Bancos públicos terão caixa reforçado para empréstimos nos próximos meses

Com a missão dada pelo governo de preencher a lacuna de crédito e estimular a concorrência, os bancos públicos poderão despejar na economia, nos próximos meses, ao menos R$35,5 bilhões de recursos adicionais aos previstos antes da crise. O cálculo inclui o reforço que as quatro instituições federais de varejo – Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal, Banco da Amazônia (Basa) e Banco do Nordeste – pretendem dar em seu caixa para empréstimos; a folga decorrente da redução dos compulsórios (dinheiro que fica retido pelo governo); e o aumento no volume de depósitos que os "bancões" tendem a receber em momentos de turbulência.

Boa parte dos recursos será destinada ao financiamento a empresas. Com isso, bancos que tradicionalmente não fazem operações de a apoio ao exportador, como Antecipação de Contrato de Câmbio (ACC), estão se preparando para entrar no segmento, dominado pelo BB. Esse tipo de operação é usado por 40% das exportações brasileiras, ou US$60 bilhões hoje.

A Caixa já fez convênios com oito instituições financeiras para oferecer a ACC no início de 2009 e terá US$400 milhões. O Basa fará algo semelhante, com recursos em reais do Fundo do Norte, no valor de R$400 milhões, nas próximas semanas. Falta a aprovação do conselho do Fundo, disse o diretor de Crédito do Basa, Gilvandro Negrão Silva. Além disso, o Basa vai dobrar a carteira comercial de R$2 bilhões.

Já atuando neste segmento, o Banco do Nordeste aguarda autorização para ampliar o limite por tomador, de R$5 milhões para R$40 milhões. Com recursos do Fundo do Nordeste, pretende emprestar R$300 milhões.

Caixa: mais R$6 bi para mutuários

Segundo o vice-presidente de Finanças da Caixa, Márcio Percival, a instituição terá R$9,17 bilhões a mais, excluídos os financiamentos habitacionais, nos próximos meses. Parte será reservada para empréstimos a empresas e pessoas físicas, e parte para comprar carteiras de bancos menores. A Caixa garantiu que terá condição de ofertar aos mutuários da casa própria mais R$6 bilhões, com recursos da poupança e do FGTS, além do orçamento do Fundo previsto para 2008 em habitação e saneamento, de R$21 bilhões.

– Estamos restabelecendo alguns mecanismos para cobrir essa disfunção do mercado, o enxugamento das linhas externas – disse Percival.

O saldo da carteira de crédito da Caixa é de R$76 bilhões, incluindo empréstimos e financiamentos habitacionais e para saneamento. O banco responde por 69% do crédito imobiliário no país, somando recursos da poupança e do FGTS. Cerca de 80% das obras de saneamento, com recurso do Fundo, estão no do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e contam com a determinação do governo para que continuem, mesmo que a crise obrigue a cortes no orçamento.

A participação do BB no plano do governo é esperada, disse o presidente da instituição, Antonio Lima Neto, pois o banco detém a maior carteira de crédito do país: R$210 bilhões no último trimestre do ano. O BB responde por 30% dos financiamentos à exportação e 60% do crédito agrícola. O orçamento para a nova safra é de R$31 bilhões.

Sem contabilizar quanto terá a mais para emprestar às empresas, o BB já disporá de R$16 bilhões, somando a liberação de R$11 bilhões dos compulsórios e os R$5 bilhões antecipados para agricultores. Do total, R$6 bilhões poderão ser destinados à compra de carteiras.

O Banco do Nordeste, dono de uma carteira de R$14 bilhões, prevê emprestar no último trimestre mais R$1,3 bilhão – R$1 bilhão à agricultura local e R$300 milhões a empresas:

– Estamos negociando a compra de carteira de outros bancos para manter o volume de crédito na região – disse o diretor de Finanças, Luiz Henrique Mascarenhas.

Em outra ponta, haverá injeção de recursos "no atacado" pelo BNDES, que tem a promessa do governo de que não faltarão recursos para investimentos. Segundo o diretor da Área de Infra-estrutura da instituição, Wagner Bittencourt, os R$85 bilhões para 2008 estão garantidos. Para 2009, a previsão são R$90 bilhões. Para isso, poderá vender ativos e participação em empresas, além de receber recursos do Tesouro.