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Lula é uma grande decepção, diz presidente da Transparência

Silvia Salek

O presidente da Transparência Internacional (TI), o alemão Peter Eigen, disse estar “muito decepcionado” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, referindo-se aos recentes escândalos de corrupção que envolvem o governo.
Em entrevista à BBC Brasil, após a divulgação do último índice de percepção da corrupção pela TI, Peter Eigen disse que depositava grande confiança em Lula.

“Sempre foi motivo de orgulho para mim ter tido um encontro com Lula dois anos antes das eleições de 2002. Ele me pareceu ser uma pessoa muito ética”, disse.

“Apesar do ceticismo do nosso representante no Brasil, eu tinha esperança de que as coisas iam mudar no governo dele”, acrescentou Eigen, que foi professor em Harvard e trabalhou no Banco Mundial com programas voltados para a África e a América Latina.

Com os recentes escândalos envolvendo pessoas diretamente ligadas a Lula, a esperança de Eigen, que é um dos fundadores da Transparência Internacional, se transformou em decepção.

“É uma grande decepção”. “Quem observa a situação do Brasil, pergunta: Como ele não estava ciente do que acontecia tão perto dele?”, questionou.
“Eu espero realmente que ele não esteja pessoalmente envolvido”, afirmou.
“Discursos fantásticos”

Peter Eigen, que é um dos fundadores da Transparência Internacional, destacou também a diferença entre os discursos de Lula no exterior e a realidade da ação do governo.

“Lula faz discursos fantásticos nos encontros que vai no exterior. São palavras que geram entusiasmo e confiança em quem as ouve. Mas e na prática? É claro que eu estou decepcionado com Lula”, disse.

“Mobuto dizia que ia combater a corrupção, Marcos também dizia, Suharto falava a mesma coisa, e olhe o que aconteceu com eles”, disse Eigen, referindo-se a três ex-ditadores, acusados de corrupção: Mobuto Sese Seko do Zaire (atual República Democrática do Congo), Ferdinand Marcos, das Filipinas, e Suharto, da Indonésia.

“Sei que há coisas muito positivas acontecendo no Brasil na área econômica, na área social, mas isso não é suficiente”, disse.

“O Brasil é um país maravilhoso, com um grande potencial econômico que é desperdiçado, em parte, por causa da corrupção”, concluiu.

No índice, divulgado nesta terça-feira em Londres e que retrata os três primeiros anos do governo Lula, a nota do Brasil caiu de 3,9 para 3,7.
A nota mais baixa e também a inclusão de novos países na lista da TI fez o Brasil perder posições no ranking global, caindo da 59ª para 62ª posição.
O índice da TI mede a percepção da corrupção em 159 países e é elaborado com base em entrevistas com empresários, executivos e analistas de dentro e fora do país estudado.