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Lula busca apoio de empresários à CPMF

Presidente recebe hoje no Planalto cerca de cem maiores expoentes do PIB para discutir prorrogação e convencê-los a investir

Convidados representam empresas com faturamento anual superior a R$ 2,5 bi; lista foi elaborada por Guido Mantega e Miguel Jorge

GUILHERME BARROS
COLUNISTA DA FOLHA

LETÍCIA SANDER
JOHANNA NUBLAT

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne hoje, às 10h, no Palácio do Planalto, com cerca de cem maiores empresários do país sob o argumento de incentivá-los a aumentar os investimentos no país. Mas o objetivo principal será o de pedir o apoio à aprovação da prorrogação da CPMF.

Além das negociações com a classe política, Lula também decidiu fazer pressão junto aos empresários. Fora do Congresso, as principais críticas à CPMF têm partido da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Em resposta, Lula pretende dar uma demonstração de força. Sob o argumento de que são as empresas as convidadas e não as entidades, Paulo Skaf, presidente da Fiesp, não foi chamado.

A idéia da reunião surgiu durante a viagem presidencial aos países nórdicos e à Espanha, em setembro. Lula deverá dizer que o governo está empenhado em um "novo ciclo do crescimento" e que se o setor privado apostar nisso, a chance de um "salto" é maior. Nas palavras de um assessor, Lula quer acender uma "faísca" e ouvir o que o governo pode fazer para despertar "o espírito animal" dos empresários, uma referência à expressão do economista John Maynard Keynes.

Sobre a CPMF, Lula deverá repetir argumentos já públicos em defesa da contribuição, entre eles o de que, sem a contribuição, investimentos poderão ser comprometidos, inclusive os do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O Planalto nega que a idéia do encontro tenha sido arregimentar apoio para a prorrogação da CPMF. O presidente convocou os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Guido Mantega (Fazenda), Miguel Jorge (Desenvolvimento) e Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais). O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, está nos EUA.

A lista de empresários foi preparada pelo Planalto com sugestões de Mantega e Miguel Jorge. Foram selecionadas empresas com faturamento anual superior a R$ 2,5 bilhões.

Como muitos empresários cumprem agenda no exterior, foram enviados muito mais de cem convites desde a semana passada. O presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, por exemplo, não participará.

Outros pesos pesados confirmaram presença. Entre eles, Jorge Gerdau Johannpeter (Gerdau), Emílio Odebrecht (Odebrecht), Fernando Botelho (Camargo Corrêa), Benjamin Steinbruch (CSN) e Frederico Curado (Embraer), e presidentes de montadoras e de usinas de açúcar e do álcool. Empresários afirmaram à Folha que pretendem mais ouvir do que falar. Mas pedirão desonerações, como o do desconto do INSS sobre a folha de pagamento, como contrapartida à prorrogação da CPMF.


Colaborou CATIA SEABRA, da Reportagem Local