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Lucro do BNDES sobe 154%, mas foco em negócios menores ainda é restrito

DCI – Diário Comércio Indústria & Serviços

 

 

 

 

 

 

Apesar de 48,6% dos desembolsos terem sido voltados às empresas de pequeno porte, especialistas ponderam necessidade de uma diretoria com “adoção de uma lógica econômica”

O lucro líquido do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) subiu 153,9% no primeiro semestre ante igual período de 2017, para R$ 4,76 bilhões. No segundo trimestre, o montante foi de R$ 2,697 bilhões.

A reversão de provisão para perdas, a venda de parte da carteira de ações e uma redução no valor de impairments relativos a essas participações acionárias impactaram positivamente o lucro.

Para o presidente do banco do fomento, Dyogo Oliveira, o resultado veio de uma “composição bastante salutar” entre a intermediação financeira e a área de participações em empresas.

O desempenho das participações societárias do Sistema BNDES (incluindo o BNDESPAR) refletiu o crescimento de R$ 2,3 bilhões (+312,6%) do resultado com alienações de investimentos, com destaque para a alienação de ações de Petrobras e Eletropaulo.

Após as alienações, o percentual de participação do Sistema BNDES na Petrobras passou a 15,24%, ante 16,54% em dezembro de 2017.

A carteira de participações societárias atingiu R$ 85,6 bilhões ao final do semestre, alta de 4,7% decorrente da valorização – da ordem de R$ 8,11 bilhões – da carteira de participações em sociedades não coligadas, especialmente dos investimentos na Petrobras, Vale e Suzano Papel e Celulose.

Ao mesmo tempo em que a inadimplência mostrou queda de 0,63 ponto percentual (p.p.) no semestre (de 2,08% em dezembro, para 1,45% em junho), as provisões também apresentaram redução de 83% no primeiro semestre ante iguais seis meses de 2017, de R$ 4,77 bilhões para R$ 81 milhões.

O ativo totalizou R$ 834,46 bilhões no semestre, redução de 3,8%, provocada principalmente pelo pagamento antecipado de R$ 60,1 bilhões em dívidas com o Tesouro Nacional.

A carteira de crédito e repasses registrou declínio de R$ 29,1 bilhões (5,3%), em razão do volume de liquidações, que superou o volume de desembolsos em R$ 56,67 bilhões.

O BNDESPar – subsidiária integral de participações do BNDES –, registrou lucro líquido ajustado pelos ganhos com alienações de R$ 3,81 bilhões no primeiro semestre, ante o resultado de R$ 1,25 bilhão no mesmo período de 2017.

Para o segundo semestre, Oliveira estimou perspectivas boas para a instituição. “Acreditamos que o provisionamento para risco de crédito continuará baixo. Estamos fazendo um grande esforço de redução de tempo para contratação de operações dentro do banco, desburocratizando as áreas, e isso deve resultar em volume maior de desembolsos em contratações ao longo do ano”, comentou, ontem, o presidente do banco de fomento.

‘Lógica econômica’Os especialistas entrevistados pelo DCI corroboram com a necessidade de o banco de fomento focar em micro, pequenas e médias empresas, além de financiar cada vez mais projetos de infraestrutura no País.

No primeiro semestre deste ano, o banco de fomento desembolsou R$ 27,8 bilhões, queda de 17,5% em relação ao observado em igual período de 2017 (R$ 33,5 bilhões).

Desse total, 48,6% foi destinado aos micro, pequenos e médios negócios.

O montante, no entanto, foi apenas R$ 200 milhões (1,5%) maior do que o visto em iguais meses de 2017, de R$ 13,3 bilhões para R$ 13,5 bilhões.

Na análise de 12 meses, as liberações aos pequenos empresários somaram R$ 29,9 bilhões, alta de 11,5% na mesma relação (R$ 26,8 bilhões).

O professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) Paulo Feldmann, pondera a necessidade de uma “diretoria de carreira e não política” para trazer as mudanças necessárias.

“Com uma diretoria focada em trazer o BNDES para o desenvolvimento do País, em três ou quatro meses já é possível ver resultados positivos. O problema é que ainda há grandes riscos de o novo presidente continuar usando o banco para fins políticos”, comenta o especialista da FEA/USP.

Para o membro do Conselho Federal de Economia (Cofecon) César Bergo, porém, juntamente à adaptação do banco como instrumento para adorar medidas de médio e longo prazo, o BNDES precisa “urgentemente adotar uma lógica econômica em suas ações”.

“O banco precisa deixar esse tom comercial que adotou para aderir o papel de fomentador da economia. Colocar em risco a sobrevivência do BNDES é arriscar o próprio desenvolvimento do País”, disse.