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Juros da antecipação do IR é até cinco vezes menor

O TEMPO

Consulta ao primeiro lote da restituição começa hoje
Queila Ariadne

A consulta para o primeiro lote da restituição do Imposto de Renda deste ano começa hoje, no site da Receita Federal. Mas aqueles que se depararem com a famosa frase "seu nome está na base de dados, e quiserem receber o dinheiro mesmo assim, podem recorrer às linhas de antecipação que os bancos oferecem. Os juros são até cinco vezes menores do que as taxas das opções tradicionais de crédito. Por isso, os especialistas em finanças lembram que só vale a pena antecipar a restituição se for para trocá-la por uma dívida com juros maior.

A taxa média dessas linhas gira na casa dos 2,5% ao mês. Ela é cinco vezes menor do que a oferecida pelas financeiras (13,13%) e pelo cartão de crédito (12,6%); três vezes inferior aos juros médios do cheque especial (7,04%) e praticamente metade da cobrada em um CDC (4,54%). As taxas foram calculadas pelo Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis (Ipead/UFMG).

Nem todos os bancos antecipam toda a restituição. A Caixa Econômica empresta no máximo 75% do total a receber. O Bradesco, por exemplo, só libera 100% para quem recebem salário pelo banco. Para os demais correntistas, a instituição empresta no máximo 80%. Os juros vão de 2,25% a 2,95% ao mês.

Considerando uma antecipação de 80% para uma restituição de R$ 1.000, o cliente pegaria R$ 800 a uma taxa média de 2,5% ao mês. O pagamento geralmente é feito em parcela única, no ato no recebimento da restituição. Só para se ter uma ideia, ao final de um ano a dívida teria subido para R$ 1.075,92, segundo cálculos do Ipead. Neste mesmo período, subiria para R$ 3.579,68 se o empréstimo fosse feito em uma financeira e para R$ 3.223,12 se fosse pelo cartão de crédito.

Bom senso. De acordo o consultor em finanças Marcus Crivelaro, se for para usar o dinheiro para quitar débitos com juros mais caros, a antecipação é vantajosa. Entretanto, se o objetivo for o consumo, é preciso tomar cuidado. "Se a pessoa pegar o dinheiro para comprar um fogão, por exemplo, não é vantajoso, pois dará a sensação de um falso pagamento à vista, já que ele pagará o bem, mas ainda terá que pagar a dívida depois", alerta.

As taxas são menores porque o risco de inadimplência praticamente não existe. O banco recebe assim que a Receita deposita o dinheiro da restituição ou numa data limite fixada por cada instituição, geralmente em dezembro. Essa última medida é tomada para evitar a inadimplência caso o cliente caia na malha fina.

A antecipação só pode ser feita no banco para onde o cliente indicou o recebimento na hora da declaração.