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IPI: governo desonera cadeia moveleira.

Renato Carbonari Ibelli e Agência Estado

Depois de anunciar na terça-feira a prorrogação da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos flex com até duas mil cilindradas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, aproveitou a presença de 20 executivos que participaram de reunião do Grupo de Acompanhamento do Crescimento (GAC), para divulgar a desoneração para o setor de móveis até 31 de março e a prorrogação do benefício para o setor da construção civil até o fim de junho de 2010.

O fim dessa medida estava previsto para 31 de dezembro de 2009. Entre os itens que serão beneficiados, o ministro citou cimento, vergalhões, argamassa, tinta, revestimentos e itens para banheiro.

Ao longo da entrevista, ele disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu para que a Fazenda estude a possibilidade de reduzir tributos para o setor de material escolar. Ele informou, no entanto, que ainda não há decisão sobre o assunto. E salientou que o livro didático, por exemplo, já é desonerado. "Vamos ver se há ou não possibilidade (de redução da tributação)", disse.

Arrumando a casa – Segundo Mantega, o IPI para móveis de madeira cairá de 5% para zero. Também serão zerados os IPIs incidentes sobre os móveis de plástico, aço, ratan e painéis de madeira. Ele explicou que a decisão foi tomada porque, apesar de o setor moveleiro mostrar recuperação dos impactos da crise financeira internacional, a retomada vem ocorrendo de forma mais lenta do que o conjunto da indústria. Um dos motivos apresentados pelo ministro para essa demora é o de que o setor depende das exportações. "As exportações ainda não se recuperaram pois o mercado externo está se recuperando muito lentamente", observou.

Impulso – A ideia, de acordo com Mantega, é dar impulso ao setor, que poderá contar com preços mais baixos. "Fizemos isso para que o consumidor se anime no final do ano", disse Mantega. De acordo com ele, com a medida, o consumidor poderá não só adquirir TVs e geladeiras, mas também trocar móveis. "É o momento de dar uma melhorada nos móveis da casa", comentou.

Ele aproveitou para cobrar de representantes do setor, presentes na coletiva, não só o repasse da redução das alíquotas, mas também uma oferta de preços. "Espero que o setor aproveite a oportunidade para fazer promoções e reduções ainda maiores do que essa. É o que funciona", disse.

O ministro disse que grande parte dessa indústria está localizada no Sul do País e que as medidas afetarão diretamente os trabalhadores de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. "Acredito que o cidadão do Sul aplaudirá a ideia", afirmou, acrescentando que a desoneração será uma oportunidade para o mercado de trabalho na região. Ele enfatizou ainda que os móveis de madeira são o resultado de florestas plantadas.

Mantega afirmou que as medidas de redução de impostos visam o aumento dos investimentos no País. "O que estamos dizendo é para que as empresas invistam no Brasil, que haverá mercado. É esse o sinal que estamos dando", disse. Conforme o chefe da Fazenda, "os investimentos são a base do crescimento, mas demoram mais para se recuperar".

Setores comemoram redução

O governo reduziu a zero a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do setor moveleiro. A medida foi recebida com alívio para a indústria de móveis, que registra queda de 10% nas vendas neste segundo semestre.

Para José Luiz Diaz Fernandez, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário (Abimóvel), a desoneração vai permitir que o setor se recupere dos prejuízos decorrentes da crise financeira.

"Desde o meio do ano vemos nossas vendas internas despencarem 10%. Com a desoneração, acredito que conseguiremos elevar ao menos em 5% nossos negócios mensais. A medida ainda terá impacto na manutenção do emprego na indústria", disse Fernandez.

O setor moveleiro vinha brigando pela desoneração desde o início do ano. A entidade chegou a afirmar que, sem a ajuda, o setor seria obrigado a demitir 30 mil empregados, cerca de 10% da força de trabalho desse segmento. Para a indústria da construção, a prorrogação do benefício foi encarada como uma medida coerente, já que permitirá ao consumidor que iniciou uma obra estimulado pela redução do imposto, concluí-la com as mesmas vantagens.

Isso porque as compras dos materiais são realizadas ao longo da obra. "Qualquer medida que venha desonerar a indústria é positiva. Hoje a carga tributária do setor é de cerca de 30%. Quando a produção é barateada, o consumidor final é beneficiado", afirmou Eduardo Zaidan, diretor de economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (Sinduscon-SP).