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Investigação sobre cervejaria expõe falta de controle da produção de bebidas no país

G1









O mandado de prisão de Walter Faria, presidente do Grupo Petrópolis, na 62ª fase da Operação Lava Jato, e a revelação de novas informações de um suposto esquema de corrupção envolvendo a cervejaria Itaipava expõem a falta de controle da produção de bebidas no Brasil e as brechas existentes para prática de crimes por empresários do setor.

O último sistema oficial usado para fiscalizar a produção de bebidas no Brasil foi suspenso em 2016, durante a gestão Michel Temer.

Chamado de Sistema de Controle da Produção de Bebidas (Sicobe), foi criado em 2008 e previa a instalação de equipamentos contadores nas linhas de montagem de vários tipos de bebidas. O mecanismo gravava as informações e repassava os dados à Receita Federal.

Em junho de 2016, pouco antes de ser suspenso pela Receita, o sistema passou a estar no noticiário após a deflagração da Operação Esfinge, que apurava esquema de fraude no contrato do Sicobe.

Desde a suspensão do sistema, em dezembro de 2016, as cervejarias auto-declaram a produção, sem controle mais firme por parte do governo.

Na época em que publicou o documento desobrigando estabelecimentos industriais de usarem o Sicobe, a Receita anunciou que a Casa da Moeda estava desenvolvendo um projeto que substituiria o Sicobe por um custo menor.

Segundo apurou o blog, a Casa da Moeda desenvolveu um sistema mais moderno no final de 2018, mas ainda não houve autorização da Receita Federal para que o sistema comece a funcionar. O novo instrumento cruza dados da nota fiscal eletrônica e é capaz de monitorar todo o processo, desde a produção até a venda do produto ao consumidor.

Lava Jato

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta (31) a 62ª fase da Operação Lava Jato, que apura o suposto pagamento de propinas registradas como doações eleitorais e operações de lavagem de dinheiro feitas pelo Grupo Petrópolis, do qual faz parte a cerveja Itaipava.

O presidente Walter Faria e o Grupo Petrópolis são alvos de investigação da força-tarefa da Lava Jato desde 2016, quando foi encontrada planilha com nomes de políticos e referências à cerveja Itaipava na casa de Benedicto Junior, executivo da Odebrecht.

A suspeita dos investigadores é de que o Grupo Petrópolis ajudou a Odebrecht a pagar propinas por meio da troca de reais no Brasil por dólares em contas no exterior.