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Inflação em alta e fuga de aliados derrotam Chávez

Valor Online

Humberto Saccomandi e Marcos de Moura e Souza


A inflação na Venezuela atingiu 4,4% em novembro e 20,7% nos últimos 12 meses. É a maior da América Latina. Os preços estão escapando ao controle do governo e isso parece explicar melhor a derrota de Hugo Chávez no polêmico plebiscito de domingo do que as divergências ideológicas. As reformas constitucionais propostas por Chávez tiveram aprovação de 49,29% dos votantes, enquanto o "não" conseguiu 50,71%. O governo atribuiu a derrota à abstenção de 44%.

A população venezuelana, especialmente os mais pobres, eleitores de Chávez, fica horas na fila para comprar produtos básicos, como leite. O forte crescimento da economia nos últimos anos, puxado pela alta do petróleo e pela política monetária expansionista, fez disparar a demanda por quase tudo. Por outro lado, a desconfiança dos empresários no governo, que ameaçou expropriar empresas de expoentes da oposição, inibe os investimentos necessários para ampliar a produção. E a escassez eleva os preços.
Ontem, após divulgar os dados da inflação, o Banco Central elevou os juros. A taxa básica, que passou de 8% para 10% ao ano, continua negativa, já que a inflação supera 20%, e pouco poderá ajudar na contenção do consumo.
Além do fator econômico, pesou na derrota de Chávez o abandono de antigos aliados, como o ex-ministro da Defesa, o general Raúl Baduel, para quem a vitória do "sim" seria um risco institucional para o país. Caso não haja nenhuma virada, Chávez terá de achar um sucessor para as eleições de 2012, quando termina seu mandato. A Venezuela disse "não" à reeleição perpétua.