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Impostos, infra-estrutura e crime freiam investimento para Brasil

Londres – Um estudo realizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostra que os fluxos de investimentos diretos de empresas e bancos britânicos para o Brasil poderão registrar algum crescimento nos próximos anos, mas continuarão limitados freados por uma série de fatores que preocupam os investidores, entre eles, a ausência de reformas econômicas e estruturais no País.

O professor de economia da Universidade de Manchester, Edmund Amann, ao apresentar hoje estudo durante um seminário em Londres, disse que os nove grandes grupos britânicos entrevistados (entre eles, quatro ligados a recursos naturais, duas do setor manufatureiro e um banco) demonstraram satisfação com o gerenciamento macroeconômico brasileiro nos últimos anos, com destaque para a política fiscal e monetária.

“Mas eles criticaram em particular o efeito cascata do sistema tributário brasileiro, e a qualidade da infra-estrutura do país, que consideram pobre, principalmente no setor de transportes”, disse Amann. “Além disso, a criminalidade é outro fator negativo, com várias menções à vulnerabilidade do transporte de cargas a ação dos criminosos.”

Amann observou que as entrevistas foram realizadas antes da crise política que assolou o País nos últimos meses, o que pode ter afetado negativamente as avaliações sobre o Brasil. “Há também o dado do crescimento neste ano, mais fraco do que se previa”, disse. “Mas se as coisas se acalmarem no Brasil, acredito na manutenção de um otimismo cauteloso com o País.”

Após somarem apenas US$ 26 milhões em 2002, os fluxos de investimento direto britânico ao Brasil cresceram para US$ 1,24 bilhão em 2003. O estoque dos investimentos britânicos no País soma 3,23 bilhões de euros.

Levantamento maior
A avaliação do sentimento britânico em relação ao Brasil foi extraída de um levantamento mais amplo realizado pelo BID, que entrevistou investidores de cinco países europeus – Itália, Espanha, Alemanha, França e Reino Unido – em relação aos principais países da América Latina.

Uma das conclusões do levantamento é que grupos ligados a recursos naturais, principalmente na área de petróleo e gás, demonstram menos preocupação com a política econômica dos países da região do que aqueles ligados ao setor manufatureiro ou de empresas de prestação de serviços públicos, que temem implicações negativas sobre os consumidores da região.

O representante do BID na Europa, o brasileiro Ricardo Santiago, acredita que os fluxos de investimentos para a região iniciaram uma recuperação em 2004. “As mudanças vividas na região nos últimos dois anos, principalmente na área macroeconômica, são vistas pelos investidores como fatores que deverão continuar, apesar dos problemas políticos em alguns países”, disse Santiago.

O estudo aponta, no entanto, que se América Latina pretende competir na atração de investimentos com outras regiões, principalmente a Ásia, precisa aprofundar suas reformas macro e microeconômicas, principalmente no ambiente regulatório.